O que na quarta-feira (17) à noite parecia um empate técnico entre Michel Temer (PMDB) e Aécio Neves (PSBD) no que diz respeito às acusações apresentadas nas delações dos irmão donos da JBS, no fim da quinta-feira (18), 24h depois, ficou claro que a balança pendeu para o lado mais forte e quem acabou pior nessa situação toda foi o senador mineiro. Pelo menos nesse primeiro dia de repercussão.

Michel Temer no primeiro momento não renunciou. Não viu ninguém próximo ao seu círculo de confiança ser preso, ainda. No que parecia inicialmente ser uma debandada geral, no fim do dia, perdeu apenas um ministro, Roberto Freire (PPS-SP), que ocupava o Ministério da Cultura.

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Da base aliada, até o momento, só dois partidos desembarcaram de forma oficial, o próprio PPS, o qual o ex-ministro Freire é presidente nacional, e o Podemos (antigo PTN). Juntando os dois, são apenas 22 deputados, nove do PPS e 13 do Podemos.

De ruim, agora, oficialmente, Michel Temer é um investigado na Lava Jato e sofre com a pressão de, até a madrugada desta sexta-feira (19), oito pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados. Com rejeição recorde e reformas impopulares, a pressão das ruas só deve aumentar. Quando se tratava sobre sua reprovação, interlocutores do Planalto sempre defendiam Michel Temer argumentando que ele possuía uma base forte no Congresso. Não tem mais.

Já Aécio Neves, se não perdeu tudo, está por um fio. Foi pressionado pelos tucanos a entregar o cargo de presidente nacional do PSDB e afastado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suas funções como senador.

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Viu sua irmã, braço direito de longa data, ser presa. Além do primo Fred, o dito homem de confiança do senador afastado, que pegou o dinheiro pedido por Aécio a Joesley Batista. Tinha pretensões eleitorais à presidência da República em 2018. Não tem mais.

Incertezas presidenciais

Por todo o dia, ficou a expectativa para que Fachin derrubasse o sigilo dos áudios e a população pudesse, enfim, ouvir exatamente do que se tratava. Segundo o blog do Josiais, jornalista do UOL, Michel Temer ouviu os áudios cercado por ministros e disparou, com um sorriso no rosto, quando acabou:

“A montanha pariu um rato”, seja lá o que isso significa no linguajar do peemedebista. Na avaliação de Temer, não existe nada que o incrimine nos áudios divulgados pelo STF.

O analista político Gerson Camarotti, da GloboNews e G1, foi o primeiro jornalista a conversas com Temer após o peemedebista ouvir os áudios. Segundo Camarotti, Temer estava aliviado e disse que iria "sair dessa crise mais rápido do que pensa".

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Andréia Sadi, repórter da GloboNews, informou no seu blog no G1 que Temer está avaliando a possibilidade de acionar na Justiça Joesley. Segundo a mesma, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), um dos aliados mais próximos a Eduardo Cunha, disse que o governo "comemorou o conteúdo dos áudios. Ao ser perguntado se Temer iria renunciar, Moura questionou: "Por conta desse áudio?".

Futuro

Pouco se pode conjecturar sobre o futuro de Michel Temer. De um lado, a oposição promete pressão máxima contra o peemedebista e travar qualquer tentativa de trabalho no Congresso Federal. Por outro, o Planalto tenta manter o tom de normalidade e quer que as reformas continuem tramitando.

Deputados e senadores da base aliada pressionam seus respectivos partidos para desembarcarem do governo. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), por exemplo, pediu a renúncia de Temer. Porém, o senador José Agripino (DEM-RN), presidente nacional do partido, já disse que essa é a posição particular de Caiado, não a oficial do Democratas. O PSDB sofre tanto pressão interna como externa para sair o quanto antes da base de Temer. Os tucanos são a principal sustentação do governo peemedebista. Caso resolvam desembarcar, a debandada por começar e não parar mais. A única coisa que sustenta Michel Temer é sua força dentro do Congresso Nacional, essa é a chave para sua queda. #Dentro da política