O juiz federal paranaense Sérgio Moro mostrou uma postura não muito convencional do Judiciário brasileiro, durante o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva. No interrogatório de quase cinco horas, Moro manteve o tom de voz cordial, se mostrou muito concentrado no depoimento, se utilizou de um pouco de ironia e teve o papel de um juiz promotor, termo usado no meio jurídico. O juiz promotor seria aquele que é ativo a todo momento, desde a investigação até o interrogatório.

Uma das estratégias utilizadas por Moro, no depoimento do petista, é voltar várias vezes ao mesmo assunto para que Lula pudesse se contradizer em determinada alegação.

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O juiz também chegou a ir além do componente envolvido na investigação. Moro queria mais. Queria saber sobre assuntos interligados e causou indignação dos advogados de Lula, que orientaram o petista a não responder certas indagações.

O magistrado buscava contradições e verdade no interrogatório. Lula chegava a dizer que não sabia a respeito de alguns documentos mostrados pelo juiz. O ex-presidente acabou até falando algo que ofendeu os agentes federais. O petista afirmou que se foi achado algum documento no apartamento dele, pode ter sido colocado lá por algum agente, se reportando ao episódio da condução coercitiva que ele sofreu em março do ano passado.

A Federação Nacional dos Policiais Federais enviou uma nota com repúdio aos dizeres de Lula e prometeu processá-lo.

Inspiração americana

A atuação de Moro é algo visto mais no Judiciário dos Estados Unidos do que no Brasil.

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Essa inspiração do juiz vem da #Justiça americana, da qual ele sempre admirou e se tornou uma escola para ele.

Todas essas indagações e estratégia do juiz acabou dando certo e Lula acabou cometendo algumas contradições. Um dos momentos foi quando o ex-presidente afirmou que seu encontro com Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás, foi intermediado pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Um pouco antes, o petista havia dito que não sabia se Vaccari e Duque tinham algum contato.

Outro momento de contradição foi quando comentou que seu filho teria explicado para ele sobre a situação do triplex, no Guarujá. Mais tarde disse que a sua esposa falecida, dona Marisa Letícia, foi a responsável sobre esse assunto.

Sentença

Sérgio Moro tem até três meses para dar a sentença final de Lula. Nas próximas semanas, serão permitidos o acréscimo de provas do Ministério Publico Federal (MPF) e novas alegações da defesa do ex-presidente. #Sergio Moro