Por volta das 16h10 desta quinta-feira, o presidente Michel #Temer tomou a palavra e fez um pronunciamento sobre as graves acusações do empresário Joesley Batista, dono da JBS, que, em delação, disse que o presidente tentou comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados cassado por corrupção.

O pronunciamento foi rápido, por cerca de 5 minutos, e a parte mais importante da fala do peemedebista foi a garantia de que ele não vai renunciar. "Eu não vou renunciar. Repito: eu não vou renunciar", garantiu. Desde o aparecimento das acusações de quarta-feira, a especulação sobre uma eventual renúncia cresceu na imprensa e agitou o cenário político de Brasília.

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Durante a curta fala, ele criticou a postura do empresário da JBS e chamou de "clandestina" a gravação feita no encontro realizado no mês de março, em que Temer teria solicitado a compra do "silêncio" de Cunha, atualmente preso.

"Eu vivi, nesta semana, o melhor e o pior momento do meu governo. Porque tivemos avanços importantes e começamos a resgatar a economia", disse Temer, citando indicadores positivos da área econômica. Depois, falou sobre as acusações em que é alvo:

"Eu não comprei o silêncio de ninguém. E vamos ao Supremo provar isso. Não renunciarei e sei que tenho a correção em todos os meus atos. Eu exijo uma plena investigação para que todo o povo brasileiro tenha conhecimento dos fatos", acrescentou.

O presidente ainda garantiu que não teme nenhum time de delação e que jamais autorizou alguém a utilizar o seu nome.

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Segundo ele, "todo o esforço que o país vem fazendo para sair da recessão pode se tornar inútil daqui para frente".

A "bomba" que explodiu no Palácio do Planalto nesta quarta-feira já surte efeitos no primeiro escalão do governo. Já nesta quinta, o então ministro das Cidades, Bruno Araújo, do PSDB, anunciou a sua saída do cargo. Outros nomes importantes como Aloysio Nunes poderá ter o mesmo caminho.

Com muito esforço, Temer e seu governo caminhavam para alcançar a maioria na Câmara e com isso ter mais facilidade na aprovação das reformas trabalhistas e da Previdência, tida pelo Planalto como principais bandeiras da gestão. Com essa grave acusação de corrupção feita pela empresa JBS, especialistas e analistas políticos praticamente descartam a possibilidade do andamento dessas propostas entre os parlamentos. O entendimento é de que Temer perde a governabilidade.