O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) #Edson Fachin tem percebido uma certa distância entre ele e os outros ministros da Corte. Segundo ele, o silêncio é tão forte que se torna algo "ensurdecedor". Fachin reclamou que se sente um pouco abandonado pelos colegas de trabalho e a solidão vive atormentado a sua paz. Isso tudo começou quando ele foi designado para ser o relator da Operação Lava Jato no Supremo. As únicas pessoas com as quais o ministro conversa, mesmo que de vez em quando, são a presidente do STF Cármen Lúcia e o procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Os processos e inquéritos que estão nas mãos do relator são de grande importância para punir criminosos corruptos.

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O ministro Luís Roberto Barroso chegou a dizer que Fachin precisava de muita segurança, pois personalidades poderosas foram citadas nas delações e Fachin não pode se descuidar.

Michel Temer

O relator da Lava Jato negou, nesta quarta-feira (31), o pedido da defesa do presidente #Michel Temer para que o depoimento dele à Polícia Federal (PF) fosse adiado. A defesa de Temer pretendia que seu cliente falasse apenas quando fosse concluída a perícia na gravação do diálogo entre Temer e o empresário Joesley Santana. Os advogados do presidente afirmam que o áudio foi editado e isso prejudicou o peemedebista.

O ministro Fachin reiterou que o depoimento vai ser feito e que se Temer preferir não responder as questões da PF, ele terá todo o direito. Segundo Fachin, o silêncio de Temer não poderá ser interpretado como contrário aos seus interesses.

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Temer é acusado de corrupção passiva, tentativa de obstruir a Justiça e organização criminosa. De acordo com a defesa de Temer, que tem os advogados Antonio Cláudio Mariz de Oliveira e Sérgio Eduardo de Mendonça de Alvarenga, ele só falará depois de ser concluída análise da perícia.

Edson Fachin determinou que o depoimento do presidente fosse por escrito. Após receber as perguntas dos investigadores, o presidente terá 24 horas para respondê-las. Esse benefício é concedido, além do presidente da República, para os também presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e da Corte Suprema.

Conversa com Joesley

Temer foi gravado em uma conversa com o dono da JBS Joesley Santana, com insinuações de que estaria tentando comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Outro ponto do diálogo foi quando o presidente ouviu Joesley dizer que estava comprando dois juízes e um promotor. Temer pode ter dado aval para as atitudes do empresário.