O medo do ex-senador #Delcídio do Amaral em ser pego pela Justiça fez com que ele entrasse em uma sauna no seu primeiro encontro com o marqueteiro João Santana. De acordo com a versão da delatora Mônica Regina Moura, ela e seu marido foram convidados a trabalhar na campanha o ex-senador.

Na época, eles tinham uma empresa chamada Polis Propaganda. Mônica contou que no primeiro encontro entre eles, Delcídio pediu para que a conversa entre João Santana e ele fosse realizada dentro de uma sauna, ambos sem roupa. O medo de Delcídio era que a conversa fosse grampeada de alguma forma pelos agentes federais.

Segundo Mônica, foi uma situação um pouco estranha, pois os dois não se conheciam e era a primeira conversa entre eles.

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O ex-senador tentava se lançar no meio político e ele buscava um objetivo um pouco complicado. Delcídio queria ser um representante do Mato Grosso do Sul no Senado Federal, mas ele teria pela frente vários políticos tradicionais para enfrentar.

Segundo encontro

A delatora detalhou o segundo encontro entre eles. Ela afirmou que tomou a frente dos acordos para o acerto de valores. Em conjunto com Santana, Mônica chegou ao valor de R$ 4 milhões para trabalhar na campanha de Delcídio.

Conforme relatos da marqueteira, o ex-parlamentar achou a proposta um pouco alta, pois ele tinha acabado de entrar no Partido dos Trabalhadores (PT) e disse que não poderia pagar tudo isso oficialmente. "Como eu sabia que isso acontecia, acabei aceitando e fizemos um acordo com ele", disse a delatora.

O combinado entre eles foi metade, mas segundo ela, "foi mais por fora e bem menos por dentro".

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Ela estava se referindo ao pagamento de caixa 2.

Pagamentos

De acordo com Mônica, todas as formas de pagamento eram decididas por Delcídio. A parte oficial foi acertada pelo PT de Mato Grosso do Sul. A outra parte, com recursos indevidos, coube a depósito em contas no exterior de João Santana. O valor era cerca de US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhões) .

A delatora afirmou ter discutido com Delcídio, pois ele estava usando muitos recursos indevidos e isso poderia ocasionar num grave problema. Os extratos de pagamento eram todos guardados, mas ela resolveu jogar fora com o avanço da Operação Lava Jato.

Todo ano o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece um teto de gastos para as campanhas e Delcídio se utilizou desse argumento em sua #Delação. Mônica enfatizou que tanto a ex-presidente Dilma Rousseff quanto o senador Aécio Neves (PSDB) também gastaram mais do que o permitido em suas campanhas. #Mônica Moura