Sangue, fumaça e explosões. Gritos, correria e medo. Em um verdadeiro cenário de guerra, #Brasília viveu uma quarta-feira para jamais ser esquecida. O que era para ser apenas mais um ato pacífico contra o governo de Michel Temer se transformou em confronto, com excessos de ambos os lados e pouca demonstração de respeito à democracia. Acuado, o presidente, já no final da tarde, autorizou o envio das Forças Armadas para proteger a Esplanada dos Ministérios.

No ápice do protesto, a Polícia Militar estimou 30 mil pessoas, enquanto a Central Única dos Trabalhadores, a CUT, falou em 200 mil manifestantes durante todo o dia. Pela parte da manhã, a manifestação começou pacífica e somente durante a tarde a situação saiu do controle das autoridades.

Publicidade
Publicidade

Cenas de vandalismo foram observadas por volta de 15h30, quando uma parte do prédio do Ministério da Agricultura foi incendiado - a Tropa de Choque entrou no local para evitar o avanço da depredação.

Veja abaixo uma foto postada pelo senador Álvaro Dias no Twitter, que mostra um trecho do prédio sendo tomado pelo fogo - na sequência dos acontecimentos, os ministérios foram evacuados.

Outros ministérios foram alvos dos vândalos, tais como o da Cultura e o do Meio Ambiente. O primeiro também chegou a ter uma parte incendiada. Relatos de testemunhas e fotos que circularam pelas redes sociais mostravam o interior dos prédios completamente destruídos, com computadores, cadeiras e televisões quebradas pelo chão.

Publicidade

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, soltou nota oficial lamentando os acontecimentos.

"Colocaram fogo na recepção e danificaram as instalações do prédio. Nós ainda não sabemos o total do prejuízo, mas lamentamos muito que as manifestações terminam dessa maneira. É algo prejudicial para a nossa democracia", escreveu, em nota, o ministro. Ele estava em reunião no interior do prédio quando o mesmo foi atacado.

Governo reage

O saldo do dia tenso em Brasília, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, contou com sete pessoas detidas e outras 49 feridas em decorrência dos acontecimentos. No auge do protesto desta quarta-feira, o presidente Michel Temer emitiu um decreto autorizando a presença das Forças Armadas para garantir a ordem na região.

A solicitação partiu do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pediu o apoio da Força Nacional. Maia creditou responsabilidade ao governo pela presença do Exército, o qual considerou "exagerada".

Publicidade

A decisão foi muito contestada sobretudo nas redes sociais, quando internautas relembraram o período da ditadura.

O decreto de Garantia da Lei e da Ordem assinado por #Temer prevê a presença do Exército nos arredores do poder em Brasília até quarta-feira que vem, dia 31 de março. Em nota, a secretaria de imprensa da presidência comunicou que o objetivo era "garantir a integridade física das pessoas, proporcionar uma evacuação segura dos prédios e proteger o patrimônio público".

No Congresso, mais confusão

Os ânimos não estavam esquentados apenas nas ruas de Brasília. Dentro do Congresso Nacional, os parlamentares viveram um dia tenso, com discussões, provocações e até agressões. Na Câmara, deputados que pediam a saída de Temer acabaram trocando empurrões com os da base governista e aliados do presidente. A sessão, naturalmente, acabou suspensa.

No Senado Federal, o clima também foi de muita animosidade. Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, manteve o seu já habitual tom crítico ao governo de Michel Temer e criticou o colega senador Waldemir Moka (PMDB-MS), quando este defendeu a atual gestão. Calheiros, que recentemente disse que Temer faz um governo "como a seleção de Dunga", chamou Moka de "puxa-saco".