O trabalho seguia dentro do jogo democrático quando a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que discute o texto da reforma trabalhista, foi interrompida nesta terça-feira (23). A oposição quis obstruir os trabalhos, já a base aliada quis seguir e ler o relatório.

Quando o presidente comissão, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), deu a ordem para que o relator Ricardo Ferraço passasse a ler o texto, a confusão começou com bate-boca entre os políticos. A sessão foi interrompida e os jornalistas foram obrigados a deixar o plenário. O clima agora continuou quente entre os senadores.

"Essa reforma trabalhista não deveria ser aprovada sem primeiro se resolver a questão #Política, que é o afastamento do atual presidente [Michel #Temer]", disse o senador Paulo Paim (PT-RS).

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O presidente da Comissão retomou a sessão, considerou o relatório Lido e encerrou os trabalhos. Agora a oposição vai pedir a anulação da votação por desrespeito ao regimento da casa.

"O simples fato de dizer que foi lido não significa, nem dá legitimidade para o argumento desse processo. Esse é um dos argumentos que vamos utilizar para que a sessão seja anulada, Que se faça a leitura desse relatório", disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

“A oposição, perdendo no voto, quis ganhar na força física, no grito e não é assim que funciona o parlamento. O Poder Legislativo vai continuar funcionando. A crise continua sendo grave, mas ela não vai paralisar o legislativo", disse o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

No plenário, o senador Tasso reclamou da postura da oposição. O clima também estava quente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

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A oposição queria passar uma proposta de emenda que permitiria eleições diretas em caso de vacância do cargo de presidente da República.

A base aliada tenta obstruir os trabalhos para encerrar a discussão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abriu a ordem do dia em um plenário esvaziado com apenas 53 parlamentares presentes. Os deputados deveriam apreciar um projeto de lei que coloca o fim à guerra fiscal nos Estados, mas Maia pautou a Medida Provisória que libera recursos de Contas inativas do #FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que vence no dia 1ª de junho.

"Nós precisamos votar em medidas provisórias como a do FGTS, que colocou no bolso dos brasileiros R$ 43 bilhões. Essa medida provisória pode perder a eficácia agora no início de junho", disse o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). "Um governo [VIDEO] que precisa fazer obstrução para impedir a aprovação de uma PEC de uma eleição direta é um governo que já acabou", afirmou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Em São Paulo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participou de um evento e defendeu que o Congresso faça a votação das reformas. Foi a primeira aparição pública de Meireles após a delação da JBS contra o presidente Michel Temer. Para o ministro, a agenda econômica deve continuar independente de qualquer crise.