O medo de ser preso fez o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, armar um plano para escapar das investidas da #Justiça. Tudo começou quando o procurador da República do Distrito Federal, Anselmo Lopes, recebeu uma ligação de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS. Silva, no dia 19 de fevereiro, avisou ao procurador que Joesley Batista e seu irmão, Wesley Batista, iriam colaborar com a Justiça com seus depoimentos. Um encontro foi marcado para combinarem os detalhes. O procurador Lopes e a delegada da #Polícia Federal (PF), Rubia Pinheiro, se encontraram com o advogado de confiança de Joesley e aproveitaram para dar uma "aula de delação".

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Foi explicado tudo o que a Justiça gostaria de saber e as atitudes que o empresário deveria ter para não acabar atrás das grades.

O plano

Depois disso, nasceu o plano de Joesley Batista. O dono da JBS foi até o presidente Michel #Temer com um gravador escondido no bolso. Em 40 minutos ele conversou com Temer e tentou tirar o máximo de proveito dessa gravação. O intuito dele era que o presidente confirmasse a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba.

De acordo com pessoas ligadas ao empresário, a gravação foi feita por iniciativa do próprio delator. Mas, há uma grande controvérsia no meio jurídico referente a isso.

Além de Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) também caiu na armadilha e, por muito pouco, não foi preso. Ele foi salvo no último momento por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

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O tucano irá responder por várias acusações e sua vida política foi praticamente "exterminada".

Sangue frio

Joesley mostrou sangue frio para agir desta forma. Dos dois irmãos, ele era o responsável pelas planilhas de pagamentos. Enquanto a Odebrecht demorou quase 200 dias para acertar a delação, o dono da JBS fez isso em 88 dias. Isso tudo causou estranheza nos investigadores.

Joesley chegou a dar uma entrevista um pouco antes de gravar os áudios para tentar enganar os envolvidos. Ele disse que estava perplexo com a corrupção que via acontecer e revelou que estava tranquilo em relação aos seus atos. Isso era uma estratégia para mostrar que não aceitaria uma delação.

Um pouco antes do escândalo vir à tona, Joesley pediu autorização para viajar aos Estados Unidos com sua família. De lá, ele viu o Brasil entrar num momento de calamidade. E, por incrível que pareça, ele pode nem conhecer a prisão, salvando todo o seu império.