O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou público nessa semana o conteúdo da delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo J&F, empresa proprietária do frigorífico JBS.

A delação foi muito mais além de valores milionários. A lista contém nomes de vários políticos que, até então, estavam passando ilesos nas etapas da Operação Lava Jato.

De acordo com a publicação do jornal “O Globo” desta quarta-feira (17), os donos da #JBS gravaram Aécio Neves, presidente do PSDB e senador por Minas Gerais, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. Segundo ele, o senador queria esse valor para custear a própria defesa durante as investigações da Operação Lava Jato, afirmando que ia contratar o advogado criminalista Alberto Toron para fazer sua defesa.

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Quem também teve suas conversas gravadas pelos donos da JBS foi o atual presidente #Michel Temer. Um dos irmãos revela que levou um gravador para realizar o registro da conversa que aconteceu no dia 7 de março, no Palácio do Planalto. Em determinado momento da conversa, o presidente do Brasil ouviu do empresário Joesley Batista que ele estava dando uma mesada para Eduardo Cunha e também para Lúcio Funaro, para ambos permanecerem calados na prisão.

Temer em seguida diz a ele: “Tem que manter isso, viu?”

Joesley afirmou, durante a delação, ter pago R$ 5 milhões a Eduardo Cunha após a prisão dele em outubro de 2016, valor esse que seria um “saldo de propina” que era de Cunha.

As delações premiadas também atingem outros grandes nomes da política, como o ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva e também a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros e o ex-chanceler e ex-presidenciável José Serra, todos com valores altíssimos, alguns até dólar americano.

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Quem teve acesso às informações da JBS afirma que os valores superam, e muito, os valores da empreiteira Odebrecht Realizações Imobiliárias.

Depois da delação da JBS, CADE também vira alvo de investigação

Os donos da JBS apontaram que o presidente Michel Temer indicou Rodrigo Rocha Loures, atualmente deputado federal, para realizar intermédio dos interesses da empresa perante o órgão de defesa da concorrência (CADE).

O deputado Rodrigo Loures trabalha desde 2011 com Michel Temer, ainda quando ele era vice de Dilma Rousseff, que era presidente do Brasil na época. No vídeo apresentado, Rodrigo Loures aparece recebendo uma mala com R$ 500 mil.