Atualmente é uma verdade se afirmar que as feridas causadas pela divisão política e o caos econômico instalado no Brasil sangram copiosamente, tanto dentro quanto fora do país. Um exemplo franco do fato é que dois oponentes ideológicos, personalidades brasileiras, puderam se sentar lado a lado na Inglaterra, no último dia 13 de maio, em um debate acalorado com a plateia na London School of Economics (Escola de Economia de Londres). Os dois palestrantes citados são o juiz federal #Sergio Moro e o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Moro, que esteve em destaque na mídia, mais ainda na semana que passou, por causa da sabatina que promoveu no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi recebido simultaneamente com vaias e aplausos no auditório repleto para escutar o debate do juiz com o advogado José Eduardo, fiel defensor da ex-presidente #Dilma Rousseff no transcorrer do #Impeachment perpetrado pelas forças políticas conservadoras e de direita, que sempre se fizeram presentes no Brasil.

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O encontro se deu às 13h no horário de Brasília e conseguiu arregimentar 350 pessoas, naquele que foi o 1º dia do “Brazil Forum 2017”, tendo esgotado todas as inscrições.

O juiz do Paraná disse não saber se alguém esperava um embate entre os palestrantes presentes. Moro disse que não desferiu cotovelada alguma em Cardozo, pois seria uma bobagem se ambos não pudessem estar no mesmo espaço e dialogar; sendo que em seu discurso, Moro revelou que é partidário da aplicação da lei, que muitas vezes é um conceito abstrato, mas defendeu as prisões preventivas no caso da Operação Lava Jato, já que é um processo excepcional, como nunca ocorreu antes em todo o território nacional.

Por outro lado, Cardozo insistiu que o impeachment de Rousseff não passou de um golpe de Estado sim, que se alicerçou em acusações sem fundamento algum; tanto é assim, que o advogado ressaltou que o impeachment tem sido utilizado em larga escala como ferramenta de substituição dos governos impopulares no poder na América Latina. Bastou esta fala que para que o ex-ministro do PT fosse ovacionado por boa parte dos que ali estavam presentes, inclusive com alguém da platéia gritando “arrasou!”.

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A brasileira Djamila Ribeiro, que também esteve presente no evento como filósofa renomada, no horário voltado unicamente às perguntas, afirmou que é muito preocupante quando um juiz passa a receber aplausos, denotando o que classificou como "discurso do populismo penal".

Vale destacar também a pergunta do ex-prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, que interpelou o motivo dos julgamentos do mensalão contra o PT e do mensalão Tucano terem velocidades totalmente distintas.

A plateia trocou farpas com os palestrantes durante toda a duração do evento, no qual nem mesmo Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo, foi poupado, pelo contrário, foi adjetivado como "golpista" e o ex-ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, teve que interromper sua fala quando um grito ecoou o chamando de "demagogo".

Entretanto, ao menos em uma parte do seu discurso parece que todos concordaram com o ministro, quando disse ser favorável à restrição do foro privilegiado, já que o país foi capaz de criar uma aberração que diz respeito a um bando de ricos delinquentes, ou seja, a verdadeira civilização surgiu para castigar o mal, mas o sistema político do Brasil age em sentido contrário, conforme Barroso.

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Apesar dos debates e intensa confrontação de idéias e práticas políticas, continua a ser uma incógnita o que será feito do futuro do Brasil como nação e o que o amanhã reserva a todos, deixando a muitos apreensivos por dias melhores.