O juiz federal Sérgio Moro deixou para os minutos finais do interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, ocorrido no dia 10 de maio, em Curitiba, cinco pronunciamentos do petista que, de uma certa forma, ofenderam as autoridades brasileiras. O juiz citou um por um e pediu explicações ao ex-presidente. Seus advogados, percebendo o momento tenso, pediram para que Lula não respondesse e ele obedeceu as ordens.

De acordo com o magistrado, o ex-presidente tentou intimidar as autoridades da Operação Lava Jato e considerou que Lula teve uma "conduta inadequada'.

Os episódios descritos pelo juiz são declarações públicas em que Lula disse que prenderia os procuradores da República que faziam parte das investigações contra ele, que lembraria dos agentes federais que foram até o seu apartamento, em março de 2016, para levá-lo de forma coercitiva para depor, além de vários processos contra testemunhas, procuradores e o próprio juiz Sérgio #Moro.

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Questionamentos

O juiz quis saber sobre essas atitudes que o petista teve e onde queria chegar com isso. Segundo Moro, são modos agressivos de tratar os investigadores. Na visão do juiz, Lula estava querendo intimidar os procuradores e agentes.

O magistrado, num certo momento do final do depoimento, começou a citar as ações do ex-presidente. Primeiro, Moro lembrou de uma ação contra o ex-senador Delcídio do Amaral que a Justiça julgou como improcedente. Depois veio uma ação indenizadora contra um delegado e outra contra um procurador da República, que ainda estão em curso. Moro também comentou sobre ações do petista contra ele, por abuso de autoridade, o que foi reputada por oito desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF-4).

Diante disso, o juiz fez uma pergunta bem direta a Lula: "Essas iniciativas foram mesmo de sua escolha senhor ex-presidente?".

Silêncio de Lula

O ex-presidente preferiu seguir as ordens de seus advogados que sugeriram para ele não responder sobre essas indagações de Moro.

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Lula reafirmou várias vezes que não iria falar. O petista que sempre mostrou grande convicção em seus pronunciamentos resolveu se calar perante o juiz. Moro deu a ele uma oportunidade dele comentar o que queria dizer sobre toda essa agressividade, mas Lula se decidiu pelo silêncio.

Após o término da audiência, Lula foi discursar num palanque numa praça de Curitiba. Lá, ele voltou a estar mais "solto" e passou mensagens de otimismo para os militantes petistas que compareceram na capital paranaense.

Moro continuou sem algumas respostas e Lula não mostrou "as forças" que ele tem dentro dos eventos do PT.