O Ministério Público Federal (MPF) fechou uma delação que pode "encurralar" o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delator se chama João Alberto Lovera. Ele trabalhou por 31 anos na construtora Odebrecht, no cargo de ex-gerente administrativo e financeiro da empresa. Para que o acordo fosse aceito pelo MPF, Lovera trouxe informações criminosas relacionadas à aquisição do terreno do Instituto #Lula.

De acordo com uma prévia de seu depoimento, Lovera afirmou que esteve junto com Lula, dona Marisa Letícia e Paulo Okamotto, em 2011, visitando o terreno que seria sede do instituto. Segundo o delator, a compra do terreno foi feita com propina vinda do Setor de Operações Estruturadas, que seria, na verdade, o setor mais corrupto da empresa que distribuía e repassava propina para criminosos.

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Compra do terreno

Lovera afirmou que dirá toda a verdade e não deixará nada escondido frente às autoridades. Segundo ele, em 2010, ele ficou sabendo que houve um pedido do herdeiro Marcelo Odebrecht a Paulo Ricardo Baqueiro de Melo para que ele negociasse a compra do terreno para o instituto. Paulo era o executivo regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias e Participações. Junto com Paulo, Lovera disse que eles foram conversar com o advogado do instituto Lula, Roberto Teixeira, para que tudo fosse esquematizado.

A construtora, na época, chegou a dar parecer contrário à compra do terreno devido à problemas na Justiça. Mais tarde, o delator soube, através de Paulo Melo, que o terreno seria comprado pela empresa DAG e depois repassado para o instituto.

Foto comprometedora

Os advogados de Lula pedem para que seja retirada dos processos uma foto apresentada por Renato Duque.

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O ex-diretor afirmou ter se encontrado com o ex-presidente e entregou à Justiça uma foto junto com o petista.

De acordo com a defesa de Lula, a foto não prova nada e foi entregue apenas para que Duque conseguisse firmar um acordo de delação premiada. O ex-diretor pediu um novo depoimento para fornecer mais informações sobre o caso. Isso revoltou os advogados do ex-presidente.

Renato Duque também entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que fosse concedida a liberdade a ele, igual aconteceu com o ex-ministro José Dirceu. A Corte negou e ele continuará preso. O ex-diretor pretende contar num depoimento futuro sobre um encontro que teve com o ex-presidente Lula, onde o petista deu ordens para ele fechar as contas no exterior onde eram depositadas propinas da Petrobras.