O deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi condenado nesta terça-feira (23) pelo Supremo Tribunal Federal (#STF), pelo crime de lavagem de dinheiro vindo de obras públicas superfaturadas. O tempo de prisão será de sete anos, nove meses e dez dias e deverá ser cumprido inicialmente em regime fechado. Além disso, #Maluf terá que pagar multa de R$ 1,3 milhão e devolver todo o montante desviado à União. O STF também determinou que o deputado perca seu mandato e a condenação o impedirá de concorrer às próximas eleições, pois o enquadrou na Lei da Ficha Limpa.

Entretanto, a pena não será aplicada imediatamente, pois é necessário que a decisão seja publicada no diário da #Justiça, o que pode levar até 60 dias.

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Maluf já confirmou que entrará com recurso, portanto a decisão só poderá ser cumprida após o julgamento do mesmo.

O bom marido

De acordo com as investigações, a principal fonte de recursos ilícitos seria a construção da Avenida Água Espraiada (atual Avenida Roberto Marinho), executada quando ele era prefeito de São Paulo (1993-1996). O custo da obra, na época, foi de R$ 796 milhões. O consórcio responsável envolveu as construtoras Mendes Junior e OAS.

A Mendes Junior teria subcontratado empresas para vender serviços que não foram executados e cobrado 10% em propina para cada contrato. Os valores foram enviados para contas no exterior, abertas em nome de parentes de Maluf. O parlamentar prestou depoimento sobre o caso em 2015. Ele afirmou que ganhou o dinheiro em um cassino e estava sendo acusado "por ser um bom marido", pois depositou todo o dinheiro na conta da esposa, Sylvia Maluf.

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Processo se arrasta há mais de 10 anos

A denúncia contra Maluf foi apresentada em 2006, pelo procurador da República Rodrigo de Grandis. Porém, como Maluf assumiu mandato de deputado e passou a ter direito a foro especial, o inquérito foi encaminhado para o STF, no qual tramitava desde 2007. O STF só aceitou a denúncia em 2011.

A denúncia original envolvia os crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, mas a demora fez com que o primeiro prescrevesse, impedindo que o réu fosse punido.

Outras acusações

Paulo Maluf está na lista vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) desde 2010. Ele foi denunciado por ter lavado US$ 12 milhões de dólares nos Estados Unidos. Na França, o parlamentar também foi condenado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Além disso, o deputado é réu em processo por ter omitido uma doação de R$168 mil feita para sua campanha eleitoral em 2010. O dinheiro teria vindo da Eucatex, uma empresa de propriedade da família de Maluf.