"Imprestável". Foi dessa forma que Ricardo Molina, perito contratado por Michel #Temer, avaliou a gravação do empresário #Joesley Batista, que abalou o cenário político brasileiro ao gravar uma conversa com o presidente no dia 7 de março. Nesta segunda-feira, o perito e os advogados do presidente convocaram a imprensa para apresentarem suas versões quanto ao áudio, duramente criticado por Molina.

A gravação se tornou de conhecimento público na última quarta-feira, quando o jornal O Globo publicou uma reportagem com o teor da conversa entre Joesley Batista, dono da empresa JBS, e Michel Temer. No diálogo, o peemedebista teria dado o seu aval a Joesley para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, cassado por corrupção e preso na Operação Lava Jato - em dois pronunciamentos desde então, Temer negou veementemente as acusações.

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Além de entender a gravação como "imprestável", Molina avalia que ela só está sendo levada em consideração em função do momento político que vive o país. Para ele, o áudio não seria utilizado em "situação normal". Baseado no diálogo vazado e em outras informações prestadas por Joesley e seu irmão Wesley Batista, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar a conduta do presidente neste caso. Os crimes seriam de obstrução à Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. organização criminosa.

Gravação editada?

A hipótese, que já havia sido levantada por Temer, que considerou o áudio "fraudulento", foi abordada pelo perito Molina. O profissional entende que há "diálogos descontinuados, mascaramentos por ruídos e longos trechos ininteligíveis" na gravação que ameaça o governo do presidente Michel Temer.

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"Esta gravação deveria ter sido desconsiderada desde o primeiro momento em que veio à tona, pois é imprestável. Ela só está tendo validade em decorrência das conotações políticas que aqui estão prevalecendo", opinou Molina em coletiva dada ao lado dos advogados do presidente.

Para o perito, foi possível observar até cinco pontos de edição em um intervalo de 17 segundos da gravação, com possíveis cortes em trechos da conversa. Na tentativa de ilustrar sua posição sobre o tema, ele lembrou que quando um cliente vai ao mercado comprar carne e observa um pedaço podre, não há como cortar essa parte e comprar o resto.

"Em uma situação normal, como eu disse, esse material jamais poderia ter sido aceito como uma prova. Não existe uma prova mais ou menos boa. Ou ela é boa ou não existe", acrescentou.

Molina conduziu uma apresentação em slides contendo imagens da gravação de áudio por meio de ondas sonoras. Ele acredita que o suposto processo de edição tenha contado apenas com recortes, não com inclusões.

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"Incluir trechos é bem mais complicado que cortar. Se você corta, ninguém vai conseguir saber o que aconteceu", pontou.

Como forma de exemplificar distorções observadas a partir de uma possível edição, o perito selecionou um trecho onde Temer teria dito "todo mês", em referência ao pagamento de "mesada" a Eduardo Cunha. Molina destacou que, a partir do seu estudo e de sua equipe, a verdadeira fala de Temer nesta frase teria sido "tô no meio".

Desde quarta-feira passada, quando a "bomba" foi plantada no coração do poder executivo em Brasília, a pressão tem crescido sobre Michel Temer. No entanto, ele descartou completamente a possibilidade de renunciar já em dois momentos distintos: na quinta-feira, um dia depois da revelação de O Globo sobre o áudio de Joesley, e no último sábado. Ambas as ocasiões foram a partir de pronunciamentos.