A defesa do ex-prefeito de São Paulo, Fernando #Haddad, fez uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Eles querem que as investigações sobre supostos pagamentos não oficiais à campanha do petista sejam apuradas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e não julgadas por Sérgio #Moro. Os autos do processo foram enviados pelo ministro Edson Fachin a décima terceira Vara Federal de Curitiba. Os delatores João Santana, Mônica Moura e André Santana falaram em seus depoimentos sobre os valores não oficiais fornecidos à campanha do petista.

O argumento da defesa de Haddad é que os fatos revelados por Santana e Mônica, além de não terem sentido, não estão ligados com a Operação Lava Jato e nem com a corrupção da Petrobras.

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Em razão disso, as investigações não podem ser analisadas por Sérgio Moro, comentaram os advogados.

Mônica Moura disse que Haddad recebeu valores para sua campanha de 2012 com dinheiro da Odebrecht e de empresas conectadas com o empresário Eike Batista.

Nessa segunda-feira (22), os advogados afirmaram que o processo não tem nada a ver com a Justiça do Paraná e a Procuradoria da República paranaense. Diante desse fato, pode ocorrer do ministro Fachin levar essa decisão para o Plenário da Corte resolver.

Campanha milionária

Segundo a delatora Santana, o empresário Eike Batista ficou responsável em arcar com uma dívida de R$ 5 milhões da campanha de Haddad. O ex-tesoureiro João Vaccari Neto intermediou o repasse do pagamento. Mônica falou que eram tantas dívidas que, às vezes, até se confundiam com os pagamentos.

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De acordo com ela, isso era algo normal.

"João sem braço"

Conforme depoimento de Mônica, Fernando Haddad se fazia de "João sem braço". Ele não se envolvia nas negociações financeiras e quando era cobrado sobre supostas dívidas, fugia dizendo que não tinha nada a ver com isso e mandava procurar Vaccari.

A campanha do petista chegou a custar R$ 50 milhões. Ficou combinado que Vaccari e Antonio Palocci seriam os responsáveis dos pagamentos via caixa 2.

Mônica relatou que Vaccari chegou a se irritar com Haddad. Todas as vezes que ele ia conversar com o ex-prefeito, Haddad tirava o corpo fora. O valor fornecido por Eike para arcar a dívida só foi conseguido com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio Godinho, assessor do empresário, foi quem tratou dos valores com Mônica. Ele era o braço direito de Eike. Segundo informações da delatora, a dívida da campanha só foi quitada no ano de 2013.