A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, participou nesta sexta-feira (05) de um evento realizado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro (RJ). A presidente da mais alta Corte do país discorreu sobre um tema considerado "espinhoso" nos dias atuais: a situação em que se encontra o Poder Judiciário no Brasil. Ela palestrou sobre o tema: "A Judicialização da Política". Cármen Lúcia foi contundente em reconhecer os problemas que cercam o Judiciário ,especialmente no atual momento conturbado enfrentado pelo país, em se tratando da judicialização da política nacional.

Controle sobre os três Poderes

A presidente do Supremo defendeu veementemente, de que se possa haver um controle sobre os três poderes da República: Judiciário, Legislativo e Executivo.

Publicidade
Publicidade

As críticas da ministra Cármen Lúcia foram direcionadas à falta de controle, ao relacionar que "toda vez em que o poder está concentrado, favorece que seja levado à situações de autoritarismo", declarou a magistrada. Ela ressaltou ainda que por mais que "a pessoa diga que é a mais democrática do mundo,se não houver um controle sobre ela, faz com que todo aquele que detenha o poder, tende a dele abusar", afirmou a presidente do Supremo.

A ministra afirmou ainda que é fundamental, um verdadeiro "pilar" da democracia, a separação de poderes, concluindo que isso vale não somente para os Poderes Executivo e Legislativo, mas para o Judiciário. Em relação ao Poder Judiciário, a ministra reconheceu que um dos grandes problemas da Justiça no Brasil, é a "morosidade", ou seja, a "demora" no andamento e conclusão dos processos a serem julgados.

Publicidade

Segundo a magistrada, uma das principais razões para que ocorra essa "demora" generalizada, é que uma parte expressiva, "não quer acabar com isso". Em seu discurso para uma plateia lotada na Academia Brasileira de Letras (ABL), Cármen Lúcia fez uma autocrítica, ao afirmar que "para nós, juízes, a morosidade é a pior coisa do mundo, ter que decidir sobre um determinado processo, por uma.. duas.. três vezes", ressaltou a magistrada. Ela concluiu ainda que "não se quer acabar, porque se quisessem, já haveria mecanismos para isso, o que acarreta que os juízes se sentem muitas vezes, impotentes diante dessa situação", desabafou. Após a realização do evento, ao ser abordada, a presidente do Supremo Tribunal Federal (#STF), preferiu não conceder nenhuma entrevista à imprensa. #CármenLúcia #Lava Jato