Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador da República e um dos investigadores da Operação #Lava Jato, deu entrevista, nesta quinta-feira (11), dia seguinte ao depoimento do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva. O procurador lamentou profundamente a atitude de Lula de colocar a culpa em sua mulher, Marisa Letícia, falecida este ano, sobre a intenção de adquirir o tríplex no Guarujá, no Litoral de São Paulo, um dos alvos da investigação.

De acordo com Lima, o depoimento de Lula não teve nenhuma consistência nas alegações. "Me deixa triste ver responsabilizar dona Marisa Letícia, sendo que ela não está aí para se defender", disse o procurador.

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Lima também criticou a coletiva dada pelos advogados de defesa do ex-presidente, logo após o término do interrogatório. "A defesa de Lula quer apenas confundir as coisas ao criticar a atuação do juiz [Sérgio Moro] e do Ministério Público Federal (MPF). A coletiva deles foi sem sentido e capciosa", disse Lima.

Ameaças de Lula

O procurador também comentou sobre as afirmações ditas pelo petista num evento do Partido dos Trabalhadores. Lula ressaltou que poderia, no futuro, prender quem hoje inventa mentiras sobre ele. O investigador minimizou o discurso e disse que o ex-presidente não pode mandar prender. "Isso pode ter sido uma expressão um pouco eloquente dele", disse.

Os próximos pedidos à #Justiça estão sendo analisados para dar andamento à conclusão do processo. Na audiência, o juiz Sério Moro fez vários questionamentos para Lula sobre essas possíveis ameaças.

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O ex-presidente revelou ter sido uma força de expressão. Moro prosseguiu: "Você acha certo um ex-presidente falar isso?". Lula respondeu: "Acho que não".

Momentos tensos

O interrogatório do ex-presidente, já Justiçam Federal, em Curitiba (PR), durou quase cinco horas e teve alguns momentos tensos. Um deles foi quando o petista atacou o MPF. Lula disse que considera esse processo ilegítimo e a denúncia é uma farsa. O juiz pediu paciência ao réu.

No começo da sessão, Moro deixou bem claro ao ex-presidente que todas as conversas sobre uma possível prisão dele, durante o depoimento, eram apenas boatos. Lula se mostrou um pouco nervoso e disse que estão fazendo uma perseguição política contra ele.

O ex-presidente comentou que o objetivo dos procuradores da Lava Jato era que os investigados falassem o nome dele. O magistrado disse que essas afirmações de Lula são equivocadas, pois ninguém aceita negociar as colaborações judiciais com esse intuito.

Ao sair do interrogatório, o ex-presidente foi discursar para os seus militantes numa praça da capital paranaense.