O governo colocou em pauta dois assuntos dos mais polêmicos, que estão gerando protestos país afora. Diante do impasse e apesar da insistência por parte de Temer, a base aliada já admite que a votação da Reforma da Previdência poderá ser adiada para o segundo semestre deste ano. O motivo alegado seria a votação da Reforma Trabalhista em primeiro lugar, mas a impopularidade das medidas parece ser a verdadeira razão da protelação.

Na #Câmara dos Deputados, está agendada para a próxima terça-feira (16), a votação dos onze destaques que alteram o texto principal do projeto do relator Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) e, mais uma vez, não será fácil chegar a um acordo.

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O que foi aprovado

A proposta defendida pelo governo previa idade mínima de 65 anos para ambos os sexos, mas o que ficou decidido é que para mulheres a idade será de 62 anos, ambos com tempo mínimo de 25 anos de contribuição.

Um dos pontos mais discutidos e que não tem a simpatia da população trabalhadora, nem da oposição, é que para ter direito ao benefício integral, o trabalhador precisará acumular 40 anos de contribuição.

Trabalhadores rurais e professores poderão se aposentar aos 60 anos de idade, tendo contribuído por 25 anos, o que vale também para os parlamentares, detalhe que está sendo mal visto pelos eleitores em geral.

Contra e a favor

O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) criticou as alterações na proposta: "Se não fizermos, quem vai pagar é o povo", pronunciou, alegando que é preciso que o país tenha "contas públicas mais organizadas".

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Na visão de Darcídio Perondi (PMDB-RS), que é vice-líder do governo na Câmara, a medida deverá contribuir para a diminuição da recessão e do desemprego.

A oposição, porém, pondera. Jandira Feghali (PC do B-RJ) defendeu que a reforma prejudica os trabalhadores mais pobres, impedindo que se aposentem. O deputado Pepe Vargas (PT-RS) vai além. Para ele, a reforma vai derrubar a arrecadação. O argumento tem lógica, pois quem entra agora no mercado de trabalho, tende a buscar alternativas mais justas e convenientes na previdência privada, desobrigando-se de contribuir para as contas governamentais e livrando-se do risco de ser surpreendido com novas mudanças durante sua vida laboral.

Nas redes sociais, proliferam grupos propondo "abaixo assinados" contra a Reforma.

Com mais de 12 milhões de desempregados, a saúde e a educação públicas deterioradas, a certeza de que grande parte dos altos impostos pagos pela população são desviados em esquemas de corrupção, a insatisfação não é nenhuma surpresa.

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Além do que, não é preciso ser um especialista no assunto, nem o melhor aluno de matemática, para constatar o motivo da antipatia popular pelo que está sendo proposto. Imaginando que uma pessoa comece a trabalhar com 20 anos de idade e que, de acordo com a realidade brasileira, tenha somado períodos de desemprego, para contribuir durante 40 anos e ter direito à aposentadoria integral (limitada ao teto imposto pela Previdência que hoje é de R$ 5.189,82), quantos anos de idade este trabalhador terá? #Reforma da Previdência #governo federal