Ministro do Superior Tribunal Federal (#STF) e relator dos inquéritos contra o presidente #Michel Temer (PMDB), o senador afastado #Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR); Edson Fachin aceitou nesta terça-feira, dia 30, o pedido da defesa de Temer para que o processo do presidente seja julgado de forma separada do de Aécio Neves.

Fachin, entrentanto, manteve o processo de Temer e de Rocha Loures anexados. Os processos de Andrea Neves e Frederico Pacheco de Medeiros – respectivamente, irmã e primo do senador mineiro – também continuam anexados ao inquérito de Aécio.

O pedido havia sido submetido pela defesa de Temer na última semana.

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Em sua solicitação, os advogados do presidente argumentaram que não havia conexão entre as acusações imputadas ao presidente e ao senador afastado. Ambos foram protagonistas da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, à Procuradoria-Geral da República (PGR). Revelada no último dia 17 de maio, a delação de Batista causou furor no país ao revelador gravações de áudios telefônicos entre o empresário e os dois políticos.

Na conversa com o presidente, Batista revelou estar repassando uma mesada de propina ao ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), no que foi respondido com palavras de incentivo vindas do presidente. Já no caso de Aécio, Batista apresentou áudios que revelam pedidos de Aécio por propina, além de vídeos e imagens que mostram a realização do pagamento da verba ilegal a Frederico, primo e assessor do senador afastado.

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Apesar da divulgação da delação ter sido revelada apenas em maio, Temer, Aécio e Rocha Loures já estavam sendo investigados pela PGR desde abril, quando as negociações de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, se iniciaram.

Pressionado desde a divulgação do conteúdo da delação, Temer tem afirmado categoricamente que não irá renunciar. Em declarações, o presidente classificou as gravações como “fraudulentas”, negando ter incentivado o pagamento de uma mesada a seu companheiro de partido, Eduardo Cunha, atualmente detido no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Por meio de notas, o senador afastado Aécio Neves também negou as acusações. Na última delas, divulgada em suas redes sociais e assinada por seu advogado, Alberto Toron, a defesa do senador falou sobre as notícias de que documentos com inscrições “cx 2” foram encontrados no apartamento de Aécio em Ipanema, no Rio de Janeiro, além de obras de arte e aparelhos eletrônicos. O representante de Neves voltou a negar qualquer irregularidade, afirmando que a defesa do senador quer antes ter acesso aos documentos para prestar esclarecimentos.

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Fachin é eleito presidente de Turma responsável por julgamento da Lava Jato

Além da decisão de acatar o pedido de desmembramento apresentado por Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer, Fachin também figurou nos noticiários desta terça-feira após ser eleito para assumir a presidência da Segunda Turma da Corte do STF, responsável pelos julgamentos dos processos originários da Operação Lava Jato, que desde meados de 2014 tem figurado na imprensa com sucessivas denúncias de corrupção e irregularidades contra empresários e políticos brasileiros.

Segundo informações veiculadas pela Agência Brasil, a eleição de Fachin foi apenas simbólica, já que as regras da casa determinam que o membro mais antigo que ainda não houver ocupado o cargo assume o posto de presidente do colegiado. Com mandato de um ano, Fachin substituiu o cargo até então exercido pelo ministro Gilmar Mendes.