Na noite desta quarta-feira (17), foi divulgado o teor da delação de Joesley Batista e o seu irmão Wesley, donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta, à Procuradoria Geral da República no último mês de abril em uma delação premiada com maior capacidade explosiva do que a da Odebrecht.

Em um esquema combinado com a Polícia Federal, o presidente Michel Temer foi gravado dando seu aval a uma 'operação cala-boca' em que Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos conhecedores de inúmeros casos comprometedores, receberiam uma "mesada" para que ficassem de bico calado.

O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem forte do governo Temer, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley, e a irmã de Funaro, Roberta, R$ 400 mil.

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"Se for verdade atrapalha tudo", disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS)

Outros deputados reunidos para tratar da reforma da Previdência ficaram inquietos com as notícias das gravações. O deputado Pauderney Avelino, ex-líder do DEM na Câmara, mostrou seu desespero diante da bomba:

"P.. que o p... Desgraça pouca é bobagem", exclamou.

Aécio Neves também foi gravado pedindo 2 milhões de reais, quantia que foi rastreada e depositada numa empresa do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

Provas foram obtidas em operações controladas

Procedimentos diferenciados foram adotados para que as conversas gravadas não vazassem. Joesley, por exemplo, não era identificado ao entrar na sede da Procuradoria Geral da República, entrando na garagem do prédio com seu próprio carro.

Os sete delatores envolvidos terão que pagar uma multa de R$ 225 milhões para se livrarem das operações Greenfield e Lava-Jato, que investigam a JBS há dois anos.

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Por enquanto, ninguém será preso ou usará torneira eletrônica.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que o PT pedirá o impeachment de Temer

Depois de tudo, o tubarão-mor líder do PMDB, senador Renan Calheiros, preferiu não comentar. Enquanto tomava um cafezinho, achou interessante esperar os fatos “decantarem” antes de comentar, mas ressaltou que o momento é “complexo” e que as repercussões podem ser inimagináveis.

Nas próximas horas

A Polícia Federal começa a analisar as gravações feitas nestas operações controladas em que o presidente da República Michel Temer dá seu aval ao pagamento de propina (várias parcelas de valores aproximados de meio milhão de reais) a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro para que levem para o túmulo informações que possam comprometer ele próprio. Aécio Neves e nomes influentes do governo Lula também precisam prestar esclarecimentos. "Não sei" está começando a não ser mais aceito. #temerbolado #Lula #Impeachment