Michel Temer convive constantemente com um "inimigo íntimo" dentro do próprio partido. A relação entre ele e Renan Calheiros nunca foi das melhores, o que já é sabido por todos desde a gravação de Romero Jucá. Na ocasião, o senador chegou a afirmar que " Michel é Eduardo [Cunha]". O senador pelo estado de Alagoas, possivelmente, é o opositor mais perigoso e ferrenho às pretensões de Michel Temer.

Constantemente envolvido em denúncias da Lava Jato e citado por delatores, Renan Calheiros se vê em uma situação bastante complicada, correndo sério risco de não se reeleger em 2018. Político experiente que é, Calheiros então busca uma forma de ganhar popularidade e pontos positivos com os eleitores.

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A estratégia adotada foi bater e se contrapor a alguém ainda mais rejeitado do que ele: o próprio Michel Temer.

Renan repetidas vezes faz críticas públicas a Michel. O alvo, no momento, não é nem a figura central do peemedebista, mas, sim, suas reformas impopulares. Na última semana, Calheiros se reuniu com centrais sindicais e parlamentares de oposição para definir maneiras de tentar barrar a Reforma Trabalhista e a da Previdência. O senador peemedebista chegou a ser chamado de "o cara" pelo colega de profissão, o petista Paulo Paim (RS).

Calheiros já falou abertamente que não participa - nem quer participar - do governo e disse que Michel Temer é uma pessoa vingativa, o comparando com o ex-presidente conservador Arthur Bernardes. Também traçou um paralelo entre a gestão de Michel Temer e o ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Dunga, quando afirmou que o modelo de trabalho do Planalto é "errático".

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Por fim, na última semana, afirmou que as reformas irão punir, principalmente, os trabalhadores do Nordeste.

Líder da bancada do PMDB no Senado Federal, Renan já afirmou que seu partido não pode ser "coveiro de trabalhador nem de idosos". Essa postura combativa do senador o fez sofrer uma prensa por parte de colegas de bancada na última semana.

Por outro lado, Michel Temer e seus aliados vem tentando tirar a força de Calheiros pelos bastidores. Em entrevista ao program Rede TV News, Temer afirmou que o adversário político é conhecido por ser muito volúvel em suas posturas. "O Renan, eu tenho dito isso com muita frequência, é de idas e vindas. Ele já foi muitas vezes e voltou. Eu estou esperando que ele volte”, disse.

Temer ainda garantiu que Renan tentará barrar as reformas no Congresso. "Conseguir votos ele não consegue", decretou com todas as letras.

Michel Temer também comentou a situação de Renan Calheiros como líder da bancada do PMDB no Senado. Segundo Temer, os senadores "não estão tranquilos" com a postura de Calheiros tão contrária ao governo.

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Rejeitado

Michel Temer ainda tentou se defender da alta taxa de rejeição apontada pelos institutos. Segundo a última pesquisa do Datafolha, o peemedebista tem 64% de rejeição. Ao argumentar sobre os números, tentou explicar que suas reformas propostas são medidas "populares", não "populistas". Segundo o político, medidas populistas são aquelas que agradam ao povo hoje, mas no futuro são problemas. Já as populares não são bem recebidas no momento, mas ainda serão aplaudidas em um tempo próximo. Temer ainda concluiu dizendo que acredita que, no próximo ano, o montante de 71% (dos brasileiros contra a reforma da Previdência, segundo pesquisa Datafolha) irá diminuir.

Para completar a entrevista, Temer disse que espera que as reformas deem certo para que "não haja necessidade de continuar” em uma possível candidatura em 2018. #Dentro da política