Protagonista de um dos principais escândalos recentes da política brasileira, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) foi denunciado ao Superior Tribunal Federal (STF) por #Corrupção e obstrução da Justiça. A ação de efetivar a denúncia contra o senador partiu do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. As informações foram veiculadas pela Agência Brasil.

Aécio foi denunciado após delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, que revelou às autoridades uma gravação onde o senador solicita o pagamento de cerca de R$ 2 milhões em propina. A delação também conta com imagens que mostram o pagamento sendo realizado a Frederico Pacheco, primo de Aécio, também denunciado pela Procuradoria-Geral da República (RPG).

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Além de Aécio e seu primo, também foram denunciados no mesmo processo Andrea Neves, irmã do senador afastado, e Mendherson Souza Lima, assessor do também senador Zezé Perrela (PMDB-MG). Ambos teriam contribuído com o esquema de pagamento de propina da JBS para a cúpula de Aécio.

Na denúncia, Janot afirma que Aécio buscou “empreender esforços” para obstruir as investigações da chamada Operação Lava Jato. Ele também sugere que Aécio e sua irmã Andrea sejam condenados a pagar R$ 6 milhões em virtude de sua participação no caso de corrupção. O caso agora segue para análise do ministro Marco Aurélio e julgamento pela Primeira Turma do Supremo.

Defesa de Aécio se manifesta em nota

Responsável pela defesa de Aécio, o advogado Alberto Zacharias Toron falou sobre a decisão em nota divulgada nas redes sociais do senador mineiro.

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Segundo ele, “diligências de fundamental importância não foram realizadas” antes da formalização da denúncia, citando especificamente a oitiva e perícia nas gravações divulgadas por Joesley. O advogado também afirma que a defesa do senador está aguardando ter acesso ao teor da denúncia para “demonstrar a correção da conduta” de Aécio e de seus entes.

#Temer pode ser o próximo denunciado

Presidente da República, Michel Temer (PMDB) também teve uma gravação divulgada por Joesley Batista. No áudio, o empresário revelou estar destinando uma mesada ao ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Como resposta, ouviu de Temer um incentivo. “Tem que continuar isso aí”, disse o presidente, que enfrenta uma de suas maiores crises desde que chegou ao poder após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em meados de 2016.

Ciente da alta possibilidade de ser o próximo denunciado pela PRG, Temer e seus aliados já estudam estratégias para evitar um desgaste ainda maior da cúpula do governo.

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Um dos argumentos que Temer tem utilizado desde a divulgação das gravações é de que o áudio teria sido fraudado.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo neste sábado, dia 3, Temer também quer mobilizar a base aliada para resgatar um polêmico projeto de lei que lida sobre abuso de autoridade e outras questões relacionadas às atuações de juízes e procuradores. A medida seria uma tentativa de retaliação do governo contra o STF e a PRG.

Temer e seus asseclas também querem amarrar a defesa jurídica para impedir o sucesso de processos que solicitam o afastamento do presidente. Desde a explosão do escândalo, Temer repetiu algumas vezes que não pretende renunciar ao cargo. Enfrentando forte queda de popularidade e crescente reprovação do eleitorado, Temer também tem buscado bater na tecla de que o Brasil está conseguindo superar a crise econômica que tem enfrentado nos últimos anos.

Na última quinta-feira, dia 1º, o presidente divulgou um pronunciamento onde celebrou a notícia de crescimento da economia brasileira em 1% no primeiro trimestre deste ano. Segundo Temer, o Brasil "venceu a recessão". Demonstrando otimismo, o presidente também afirmou que o poder de compra dos brasileiros aumentará com a queda da inflação, e que "logo a boa notícia será o emprego". #Aécio Neves