Com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, na última segunda-feira (26), implicando Michel Temer ao crime de corrupção passiva, levantou-se o questionamento sobre o futuro do peemedebista à frente do Planalto. A mesma Câmara dos Deputados que cassou o mandado de Dilma Rousseff devido as supostas pedaladas fiscais, deverá analisar a denúncia e decidir se autoriza a investigação contra Michel Temer. Fica no ar a questão: para os deputados, o que é mais relevante, suspeitas de pedalas fiscais ou indícios de corrupção passiva?

Como ocorreu com Dilma Rousseff, a Câmara precisa de pelo menos dois terços dos votos, ou seja, 342 dos 513 deputados, para decidir investigar Temer.

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É preciso deixar claro que essa votação não é uma condenação do peemedebista, é uma mera autorização para que se investigue a denúncia. Um fator que pode diferenciar o caso de Temer e Dilma é a segunda votação: enquanto Dilma teve que passar pelo crivo político do Senado, o qual ela já havia perdido apoio e era iminente sua derrota, caso seja aprovada a investigação pela Câmara, Temer deve enfrentar uma votação no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a maioria dos 11 ministros votem favoráveis à abertura do processo, Temer se tornará réu e será afastado do cargo que foi posto por até 180 dias.

Corrupção x Pedaladas

Tratando inicialmente sobre a presidente afastada, no caso de Dilma, o argumento utilizado pela oposição para embasar a cassação da petista, supostamente, era técnico. A peça que culminou com o impeachment de Dilma foi protocolada por juristas renomados, Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, e tratava das famosas pedaladas fiscais.

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Por mais que o governo tentasse mostrar o interesse político por trás do pedido de impeachment, a oposição disfarçava batendo na tecla das pedaladas sempre que podia. Após todo o processo que culminou com a queda de Dilma, ainda há discussão se de fato houve ou não as tais pedalas, mas o que ficou claro é que não se tratava de um crime comum que pudesse levá-la para a cadeia.

Michel Temer, por outro lado, tem escrito bem em sua testa a alcunha de ser o primeiro presidente em exercício denunciado por crime de corrupção no meio do seu mandato. O peemedebista corre o risco de se tornar réu por corrupção passiva enquanto ocupa o cargo principal do Executivo nacional. No pedido da Procuradoria-Geral da República, caso seja condenado, Michel Temer poderá pagar até R$ 10 milhões de multa. A pena para tal crime é de dois a 12 anos de prisão. Temer já está nos livros de história pelo ineditismo, mas pode ganhar alguns capítulos a mais.

Para piorar ainda mais sua imagem, Temer tem contra si uma gravação em que ouve atentamente um empresário dizer que está pagando uma "mesada" para um presidiário ficar calado, que tem juízes e procuradores ao seu lado e pede ajuda ao chefe maior do Executivo para resolver alguns assuntos de seu interesse.

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Seguindo as instruções, se encontra com um braço direito de Temer e lhe entrega uma mala com R$ 500 mil. Tudo isso gravado e acompanhado diretamente pela Polícia Federal.

"Apoio"

Quando do impeachment de Dilma, o Datafolha apontava que a ex-presidente tinha em torno de 10% de aprovação popular. Hipocrisias a parte, naquele momento, Michel Temer afirmou à imprensa que Dilma provavelmente não chegaria ao fim do mandato por tamanha rejeição. Atualmente, segundo a última pesquisa do mesmo instituto, a aprovação do peemedebista é de 7%, menor ainda do que a da petista quando do impeachment. Curiosamente, parece que Temer mudou de ideia e acho que consegue governar com tamanha impopularidade. #Dentro da política