O juiz federal Sérgio Moro, titular da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no Paraná, e responsável pela condução de todos os processos que envolvem a força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato em primeira instância, enfrentou novo "atrito" junto a um dos principais advogados de defesa do ex-presidente da República, Luiz Inácio #Lula da Silva.

O clima ficou "tenso" quando o juiz delineou as oitivas a serem realizadas com duas testemunhas de defesa do ex-presidente, dentre as 87 arroladas em um dos processos que o envolvem.

Contratação de 'tradutor'

A defesa do ex-presidente Lula deverá ser responsável pela contratação de um "tradutor" para que possa exercer seu trabalho em relação aos depoimentos de duas testemunhas que não são brasileiras.

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Jonathan Kellner e Juan Giraldez fazem parte do grupo de oitenta e sete pessoas convocadas pela defesa. As testemunhas deverão ser ouvidas no processo da #Lava Jato que confere à ação penal contra Lula sobre um possível recebimento de recursos financeiros obtido por meio de propinas e por intermédio da empreiteira Odebrecht.

O juiz Sérgio Moro autorizou expressamente que um tradutor possa se dirigir à capital do Paraná, desde que a defesa de Lula possa arcar com o trabalho do profissional durante a realização da oitiva.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, havia informado a Sérgio Moro a respeito da "imprescindibilidade" de que houvesse um profissional capaz de ser um "expertise" na tradução do depoimento da língua inglesa para a portuguesa e vice-versa, de modo que o profissional seja apto a fazer o acompanhamento das audiências.

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De acordo com o requerimento do advogado Zanin, "em que pese as referidas testemunhas pelo fato de residirem no Brasil, devendo, no entanto, obter um certo conhecimento do idioma português no Brasil, seja algo prudente a designação de um tradutor para o acompanhamento do ato". O juiz Sérgio Moro autorizou a contratação de um tradutor, conforme a sua decisão em que delimita que "sendo prova de interesse da defesa do ex-presidente Lula, deve-se, por meio da mesma, ser providenciada a vinda de tradutor para Curitiba ou para São Paulo, para que seja realizada a tradução, além de arcar com os custos decorrentes".

A situação do ex-presidente Lula parece se aproximar cada vez mais de um "desfecho" no âmbito da Operação Lava Jato. Recentemente, a Polícia Federal encaminhou para a força-tarefa do Ministério Público Federal o inquérito que apura crimes de #Corrupção passiva e de lavagem de dinheiro supostamente praticados pelo ex-presidente Lula em sua empresa de palestras, a LILS Palestras, Eventos e Publicações, aberta em 2011, após o ex-presidente deixar o governo.

Defesa contesta

A defesa do ex-presidente Lula assinala por meio de seu Instituto que não existem irregularidades quanto à existência dessas palestras e que "todas elas teriam sido realizadas e pagas com as devidas emissões de notas fiscais e pagamento de impostos".