Era para ser um pronunciamento em defesa da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas o presidente Michel #Temer acabou surpreendendo por um outro trecho de sua fala na última terça-feira, no Palácio do Planalto. Sobre o fato de ter se tornado presidente ainda no ano passado, ele demonstrou incredulidade e disse: "Não sei como Deus me colocou aqui".

Nas redes sociais, a frase virou motivo de muitas brincadeiras. Na realidade, Michel Temer se tornou presidente em razão do impeachment de sua ex-companheira de chapa, Dilma Rousseff, do PT, que ao lado do peemedebista derrotou o tucano Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014.

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No ano passado, Dilma foi destituída por meio de um impeachment motivado pelas pedaladas fiscais. Com isso, conforme a Constituição indica, Temer, então vice, foi alçado ao cargo máximo do Executivo brasileiro.

"Eu tenho um enorme orgulho de ser o presidente do Brasil. Devemos concordar que se trata de algo extraordinário. É tocante. Bom, eu diria que não sei como Deus me colocou aqui. Com uma tarefa reconhecidamente difícil, mas para que eu pudesse cumprir. Pelos avanços que a minha gestão já possibilitou, não poderei permitir acusação sobre crimes que jamais cometi", disse o presidente.

Por corrupção passiva, Temer foi denunciado por Janot, na última segunda-feira, ao STF. Mas para seguir à Corte o processo antes precisa ser aprovado por dois terços do plenário da Câmara Federal. Caso não haja votação necessária, a denúncia fica arquivada enquanto o peemedebista seguir exercendo a presidência, em cargo com vigência até 31 de dezembro do próximo ano.

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Na denúncia, o procurador-geral indica que Michel Temer e Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado do PMDB e assessor da presidência, teriam colocado o governo em benefício da empresa J&F, que responde pela JBS, em troca de propina. No início do ano, Loures acabou sendo gravado na saída de um restaurante de São Paulo com uma maleta contendo dinheiro. Ainda assim, Temer, no pronunciamento, pregou um discurso de luta e de disposição para ser absolvido.

"Não vou me permitir fugir de todas as batalhas e da guerra que está colocada em nossa frente. Esses ataques irresponsáveis do qual sou vítima não tirarão a minha disposição em vencer. Não vai me faltar coragem na defesa do nosso governo e muito menos na minha defesa pessoal", acrescentou.

Para diminuir o peso da denúncia de Janot, Temer voltou a falar de seu passado na política, relembrando o que, para ele, se trata de uma carreira limpa e sem reparos enquanto homem público. Ele também vê motivação política na decisão tomada pelo procurador-geral.

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Janot sai

Porém, o "pesadelo" de Temer tem hora marcada para deixar o cargo. Rodrigo Janot encerra o seu mandato à frente da PGR e dará lugar à Raquel Dodge, escolhida pelo atual presidente e anunciada já nesta quarta-feira. Ela tomará posse no mês de setembro, quando o atual titular do órgão deixa o cargo.

Dodge foi a segunda procuradora com mais votos dentro da lista tríplice enviada ao presidente a partir da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Alexandre Parola, porta-voz do Palácio do Planalto, fez um breve pronunciamento para anunciar o nome de Raquel Dodge e lembrou que ela será a primeira mulher a exercer esse cargo específico de PGR.

Após ser indicada, Raquel precisará passar por uma sabatina no Senado Federal antes de ser oficializada por Michel Temer - é o procedimento padrão antes desse tipo de nomeação. Um processo bastante semelhante é feito com cada novo ministro indicado ao Supremo Tribunal Federal.