A segunda-feira, 19, trouxe mais um componente importante para a definição dos rumos da política brasileira. Enquanto o presidente Michel #Temer partiu em viagem oficial para a Rússia e para a Noruega, a Polícia Federal concluiu uma parte do relatório que investiga o peemedebista, e apontou que ele cometeu o crime de corrupção ao lado do seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

A partir das delações dos executivos da JBS, dentre eles Joesley Batista, o dono da empresa, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a investigação sobre o presidente. Um áudio vazado ainda em maio contendo uma conversa entre Joesley e Temer apontava um suposto aval do presidente para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-deputado cassado e preso por corrupção.

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Temer, a partir de então, passou a ser investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. No relatório parcial preparado pela PF e enviado ao STF nesta segunda-feira, as autoridades apontam indícios de corrupção passiva de Temer e Rocha Loures, ex-assessor da presidência. No que diz respeito ao crime de obstrução da Justiça, os investigadores solicitaram mais tempo para terminar a apuração.

Os investigadores pediram um acréscimo no prazo porque aguardaram o resultado da perícia técnica no gravador utilizado por Joesley, que registrou sem o conhecimento prévio de Temer uma conversa entre ambos. O conteúdo da gravação trouxe um forte abalo para a política nacional, gerou uma crise no governo Temer e a debandada de partidos importantes da base aliada.

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Caso Temer e Loures

Na parte do crime de corrupção passiva, os investigadores trabalharam em cima dos encontros de Rocha Loures e de Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais do grupo J&F. Em abril desse ano, Saud gravou e filmou um encontro com Loures, em que entregaria ao assessor do presidente uma mala contendo o valor total de R$ 500 mil.

Receoso em receber o objeto e o valor naquele momento, Loures teria sugerido alguém de nome "Edgar" para servir de ponte para o recurso, e Saud questiona se essa pessoa seria a mando do presidente Temer. "Bom, se for da confiança do presidente, não tem problema nenhum", teria dito.

Ainda que tenha indicado uma outra pessoa para receber o repasse, Loures, que era deputado federal, acabou aceitando receber ele mesmo a maleta em uma pizzaria na cidade de São Paulo, no mesmo dia do encontro com Saud. O diretor da holding novamente registrou o encontro no estacionamento do local.

Loures agia em favor de Temer, para o qual o recurso de 500 mil reais também era destinado.

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Saud disse a Loures que "tenho os 500 mil e nessa semana tem mais 500, você tem um milhão aí, isso é toda a semana... vê com o Michel Temer".

Em comunicados oficiais que se repetiram desde o estouro da "bomba" do áudio vazado por Joesley, ainda no meio de maio, a assessoria do presidente Michel Temer tem negado sistematicamente qualquer tipo de envolvimento em casos de corrupção como esse citado.

Consequência

Vale lembrar que, ainda no mês passado, Temer evitou responder as 82 perguntas enviadas pela Polícia Federal sobre os desdobramentos das declarações dos empresários da JBS em delação premiada. O STF havia autorizado a PF a proceder dessa forma, mas o presidente não era obrigado a responder nenhuma questão. A defesa de Temer alegou que as questões tinham o objetivo de "comprometer" e demonstravam "ausência de isenção".

Assim que a PF concluir inteiramente a investigação sobre o presidente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, terá à disposição cinco dias para decidir se arquiva o inquérito ou se oferece denúncia contra Temer.