O ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, resolveu se manifestar sobre a atual situação que envolve a grave crise política que permeia a realidade do país, através do governo do presidente da República, #Michel Temer. Em defesa das investigações de combate aos escândalos de corrupção no Brasil, principalmente, em se tratando da Operação Lava Jato, Fachin foi contundente em sua análise sobre o atual momento.

Em uma das raras declarações concedidas pelo ministro, estando fora dos processos e dos tribunais, afirmou que não acredita que "altas autoridades da República", tenham como intuito interferir nos desdobramentos das investigações e que apesar da corrupção persistente no país, não se pode, de tal modo, "demonizar a política brasileira".

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O magistrado da mais alta Corte do país fez a declaração em uma palestra realizada nesta sexta-feira (09), no Instituto dos Advogados do Paraná, na cidade de Curitiba.

Interferências nas investigações

O ministro Luiz Edson Fachin foi contundente durante a palestra, ao enfatizar que "as pessoas podem errar, porém, as instituições hão de permanecer, já que não deve e não e pode demonizar a política, que é algo inerente ao espaço democrático e ao funcionamento sadio da sociedade". Fachin rejeitou, no entanto, a hipótese de que haja algum tipo de "interferência para gerar constrangimento a procuradores ou ministros, já que isso não é compatível com as funções de autoridades da República".

Com o agravamento da crise política no governo do presidente Michel Temer, a base aliada no Congresso pretende se movimentar com o aval do Planalto, na utilização de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) direcionada à empresa JBS, do delator Joesley Batista, com o objetivo de pressionar o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário.

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As articulações entre governo e os congressistas apontam que o ministro Edson Fachin poderia se tornar um dos alvos da comissão.

A intenção da base aliada do governo é a aprovação de um requerimento para que o ministro do Supremo compareça à CPI mista, para que possa esclarecer a sua relação entre um dos executivos da companhia J&F, Ricardo Saud. Outro ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, se manifestou de modo contundente, ao afirmar que Fachin estaria precisando de uma "proteção institucional", de modo que consiga lidar com reações de personagens poderosos que estão sob intensa investigação. Já o ministro Fachin, tentou demonstrar serenidade, quando ao atual momento e ressaltou que "a tranquilidade e a cautela são fundamentais para todos os magistrados e autoridades públicas, com a fiel observância aos princípios e às regras do estado democrático de direito". #STF #Crise no Brasil