Tanto oposição como situação já dão como certa uma denúncia contra Michel Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, até o final dessa semana ou no mais tardar na próxima. Janot já deu todas as sinalizações possíveis para essa denúncia, por isso, o Planalto já trabalha com essa certeza.

Na última segunda-feira (12), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Lava Jato, Edson Fachin, concedeu mais cinco dias de prazo para que a Polícia Federal concluísse as investigações sobre Michel Temer. A PF havia solicitado mais dez dias, pois a perícia no gravador usado por Joesley para gravar sua conversa com o peemedebista não havia sido concluída.

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O prazo inicial deveria ter acabado nesta terça-feira (13), mas com o adiamento, a próxima segunda-feira (19) é o novo dia determinado para concluir as investigações.

Michel Temer é acusado de obstrução à Justiça, corrupção passiva e participação em organização criminosa.

Entenda todo o trâmite do processo

No Brasil, um presidente só pode ser alvo de denúncia no Supremo Tribunal Federal se cometer um crime durante o mandato. Somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode apresentar a denúncia ao STF. Isso ocorre quando a PGR entende que há provas suficientes dos crimes cometidos pelo presidente. Em seguida, o Supremo Tribunal Federal pede autorização à Câmara dos Deputados para processar o presidente.

Na Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa o pedido e vota um parecer.

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Mesmo o parecer sendo rejeitado pela CCJ, o caso precisa ser votado no plenário da Casa Legislativa. Para o processo ser aberto, são necessários 342 dos 513 votos favoráveis ao pedido da Procuradoria-Geral da República.

Após passar pelo trâmite na Câmara dos Deputados, caso seja aprovada a abertura do processo, ele volta do Supremo Tribuna Federal para ser votado. No plenário da Suprema Corte, os 11 ministros irão votar para decidir se abrem ou não a ação contra o presidente.

Se for aprovada também pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o presidente se torna réu e é afastado do cargo por até 180 dias. Caso todo o trâmite não seja concluído nesse prazo, o presidente volta ao cargo, mas a ação continua. Uma possível prisão só ocorrerá se o presidente for condenado pelo Supremo.

Entenda as acusações do Ministério Público e da delação da JBS

Eduardo Cunha - Joesley Batista informou a Michel Temer que pagava um valor mensal para Eduardo Cunha enquanto o ex-deputado estava preso. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, houve "anuência" de Michel Temer quanto a continuidade do pagamento.

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Joesley também afirmou em sua delação que teria ouvido de Michel Temer que ele poderia auxiliar Cunha no STF. Temer teria dito: "Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá"

A defesa de Temer argumenta que "Temer diz que nada fez pelo ex-deputado Eduardo Cunha. Isso prova que o presidente não obstruiu a Justiça".

Aécio Neves - Joesley gravou conversas com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) também. Na conversa, o tucano afirmou que Temer solicitou que o PSDB retirasse a ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia culminar com sua cassação. "A Dilma caiu, a ação continuou, e ele quer que eu retire a ação", disse Aécio. A defesa de Temer se resumiu em: "Isso nunca ocorreu".

Rodrigo Janot afirmou que Aécio Neves e Michel Temer trabalharam "em articulação" para atrapalhar os trabalhos da Lava Jato. A resposta de Temer foi: "O presidente nunca atuou para impedir o avanço da Lava Jato".

Recebeu 15 milhões - Roberto Saud, diretor da JBS, afirmou que Temer recebeu R$ 15 milhões para financiar sua campanha em 2014 à vice-presidência da República. Segundo o delator, o peemedebista teria "guardado" R$ 1 milhão. A resposta de Temer foi: "O presidente não pediu nem recebeu dinheiro ilegal." #Dentro da política