Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é uma das figuras mais polêmicas do cenário político/jurídico nacional. Desde que o mensalão estourou e a população abriu os olhos para o julgamento no STF, a figura de Mendes é execrada. A polêmica da vez foi o voto de desempate para absolver Michel Temer, seu amigo pessoal, da cassação no julgamento da chapa vencedora das eleições de 2014.

Durante os cinco dias de julgamento, Gilmar Mendes e o ministro relator do caso, Herman Benjamin, trocaram diversas farpas, tendo o primeiro chegado a chamar o segundo de "falacioso".

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O voto de Mendes a favor de Temer já era esperado. O presidente do TSE constantemente realiza encontros particulares com o peemedebista e sempre se mostrou um aliado fiel.

Um fato curioso se dá em relação a postura de Mendes no modo diferenciado com que ele tratou o afastamento da presidente Dilma e a possível cassação de Michel Temer. Quando do impeachment da petista, Gilmar por diversas vezes se mostrou favorável. Já no caso do peemedebista, em seu voto, Mendes afirmou que " "Não se substitui um presidente da República a toda hora, ainda que se queira". Ainda completou dizendo que se deve aceitar um governo ruim do que "golpes na calada da noite". No caso de Dilma, o ministro do STF sempre refutou a ideia de golpe.

Histórico

Gilmar Mendes foi nomeado ao Supremo Tribunal Federal em 2002 por Fernando Henrique Cardoso, em um de seus últimos atos, deixando esse "legado" para o futuro do Judiciário brasileiro.

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Em 2004, foi indicado para ocupar uma das cadeiras do Tribunal Superior Eleitoral, o qual é presidente atualmente, desde abril do ano passado. Antes de ser nomeado aos dois cargos que ocupa atualmente, Mendes foi advogado-geral da União entre 2000 e 2002, também durante o governo FHC.

Polêmicas

A proximidade, para não dizer amizade, é nítida entre Gilmar Mendes e Michel Temer, o que fez levantar a hipótese de parcialidade no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, algo que o presidente do TSE tentou negar. Dois casos já de 2017, enquanto Mendes estava em vias de julgar a cassação de Temer, deixam a dúvida no ar. Em janeiro, o ministro do STF e o peemedebista viajaram juntos a Portugal para o funeral do ex-presidente português Mário Soares. Já em março, Mendes ofereceu um jantar em sua casa, e Temer foi um dos convidados. Traçando um paralelo no caso do ex-presidente Lula e do juiz Sérgio Moro, é algo inimaginável.

Mendes também é acusado de ser anti-petista e um "representante" do PSDB dentro do STF.

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Nos telefonemas gravados de Aécio Neves que culminaram com seu afastamento do Senado, por exemplo, uma das conversas é entre ele e Gilmar, em que o ministro se dispõe a fazer um "favor" a Aécio.

O caso mais polêmico envolvendo Mendes, talvez, fora do âmbito de discussão política de direita e esquerda, diz respeito ao envolvimento de sua empresa com o dinheiro público. Segundo reportagem da Carta Capital, de 2009, sua empresa, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), por diversas vezes já foi contratada por órgãos federais, chegando a receber R$ 3 milhões.

A principal acusação se da quando Gilmar Mendes era ainda advogado-geral da União, em 2002. Segundo reportagem da revista Época daquele ano, a Advocacia-Geral da União (AGU), que tinha Mendes como chefe máximo, contratou a própria empresa do até então advogado-geral e pagou o equivalente a R$ 32,4 mil.

Gilmar Mendes se defendeu à época das acusações dizendo que a contratação do Instituto Brasiliense de Direito Público se dava porque era uma instituição respeitada e de "grande expertise". #Dentro da política