A crise política enfrentada pelo país alcança novos "contornos", a partir de uma solicitação do procurador-geral da República, com base no aprofundamento das investigações que estão no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal e Ministério Público Federal. #Rodrigo Janot pretende, com os desdobramentos das apurações, ouvir dois ex-presidentes da República, em relação ao processo que investiga a "compra" de partidos políticos, através de apoio de parlamentares, durante a última eleição presidencial.

Janot solicitou ao ministro-relator da #Lava Jato junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, que autorize que sejam ouvidos os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e #Dilma Rousseff.

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A solicitação do procurador-geral da República foi encaminhada ao magistrado da mais alta Corte brasileira na última quarta-feira (21). Na mesma documentação enviada ao ministro do Supremo Fachin, Janot quer que sejam investigados no inquérito, os ex-ministros petistas Edinho Silva, Antônio Palocci e Guido Mantega.

Colaboração premiada da Odebrecht

O processo que se refere à compra de partidos políticos com base nas eleições presidenciais de 2014, que acabaram culminando a vitória da ex-presidente Dilma Rousseff, teve como base uma investigação aberta em abril que se desdobrou sobre os acordos de delação premiada de Marcelo Odebrecht e outros três ex-executivos da maior empreiteira do país; Hilberto Mascarenhas, Fernando Luiz Santos Reis e Alexandrino de Alencar.

De acordo com o conteúdo da delação premiada de Marcelo Odebrecht, tanto Edinho Silva, quanto Guido Mantega, solicitaram a executivos da construtora Odebrecht, a quantia de R$ 24 milhões para que se objetivasse a compra de apoio de partidos políticos, com o intuito de que se aumentasse o tempo de TV da chapa Dilma-Temer, durante a disputa eleitoral para a Presidência da República em 2014.

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Ainda segundo as investigações, os valores relativos à propina teriam sido distribuídos para os partidos PCdoB, PP, PDT, PROS e PRB.

Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, há a observância de que poderiam ter sido cometidos crimes de peculato, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Entretanto, políticos mencionados nas delações, negam que tivessem solicitado ou mesmo, recebido qualquer tipo de doação ilegal.

Janot foi ainda mais longe ao considerar que há uma "conexão direta entre as investigações que se encontram no âmbito da Operação Lava Jato, para com o objeto destes autos", o que em tese, justificaria a medida. O objetivo do procurador se refere ainda no propósito de inclusão dos autos que se delimitam sobre a compra de apoio de partidos políticos juntamente ao inquérito 4325, que trata da atuação do PT no esquema de corrupção da Petrobras, já desvendado pela Lava Jato e que tem entre seus principais investigados, o ex-presidente Lula.