De novo, #Joesley Batista dá declarações com potencial de estremecer a república brasileira. Assim como já fizera em sua delação premiada e nos áudios vazados em maio, o empresário dono da JBS fez graves acusações contra Michel #Temer, atual presidente do país. Batista concedeu entrevista exclusiva à Revista Época, que começa a circular neste final de semana.

Nas opiniões prestadas à publicação, Joesley fez duríssimas críticas ao núcleo do PMDB que atualmente comanda o país. Ele chegou a chamar Temer de "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", em uma polêmica e forte frase que estampa a capa da revista. O empresário defende que "quem não está preso, hoje está no Planalto".

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Batista diz que conheceu Temer entre 2009 e 2010, por intermédio do então ministro Wagner Rossi. O empresário garante que ele e o peemedebista tinham relação direta, com encontros frequentes e trocas de visitas. Ele deixa bem claro que conhece muito bem Michel Temer, a quem hoje faz a grave acusação de "chefe de quadrilha".

"O Michel Temer é o grande chefe da organização criminosa da Câmara", disparou Joesley, citando também outros políticos aliados de Temer, como os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Por outro lado, o magnata da JBS descarta que possuía uma relação de amizade com o presidente. Apesar da frequência das reuniões, ele defende que a relação era uma espécie de "troca", ou algo em que os dois pudessem se beneficiar.

"Nossa relação nunca foi de amizade. Sempre foi algo institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele uma forma disso.

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Já ele, acredito que me via como um empresário para beneficiar suas campanhas, ou gerar esquemas de propinas. Sempre tive total acesso até ele, que muitas vezes me ligava e me chama para ir até sua casa", confidenciou Batista.

"Temer é sem cerimônia", diz Joesley

As acusações e críticas não poupam nem a personalidade de Michel Temer. O empresário diz que por trás do jeito "dócil" do peemedebista há uma frieza na hora de solicitar recursos. Joesley revelou que logo no início da relação dos dois, Temer estava solicitando verbas de campanha.

"Eu conheci o Temer e esse negócio de pedir dinheiro para fazer campanha veio bem no início. Ele não tem muita cerimônia para tratar desses temas. É nada cerimonioso quando se trata de dinheiro", disparou.

Nesta linha, o presidente se sentiu no direito de pedir emprestado um dos jatinhos da JBS para fazer uma viagem - em notícia recentemente veiculada e causou bastante desconforto no Palácio do Planalto.

"Essa turma comandada pelo Temer é bem perigosa.

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Nunca tive a coragem de brigar com eles, sei que eles não têm muitos limites. Então o meu convívio com eles sempre foi mantendo uma certa distância. Nem muito próximo nem muito longe. Mas a realidade é que esse grupo é o que mais tive dificuldade de conviver na vida", ampliou.

Joesley Batista: pedra no sapato de Temer

Desde que acertou delação premiada na Operação Lava-Jato, Joesley Batista se transformou na maior pedra do sapato de Michel Temer, que viu o seu governo entrar em uma profunda crise a partir do vazamento da conversa que teve com o empresário ainda no mês de março.

As gravações indicavam Temer supostamente dando aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, cassado por corrupção. O presidente também parecia "lavar as mãos" quando Joesley admitia estar "driblando" procuradores que o investigavam.

Ainda em maio, a reportagem de O Globo teve acesso ao áudio da conversa de Temer e Joesley e soltou a publicação, que caiu como uma bomba no Planalto, gerando uma grave crise e debandada de partidos aliados ao governo. Apesar da pressão, Michel Temer resistiu no cargo, embora siga com o fantasma pelo caminho.