O juiz Sérgio Moro, responsável pela condução de todos os processos da Operação Lava Jato em primeira instância, a partir da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no Paraná, criticou o ministro-relator dos processos que envolvem a operação de combate à corrupção no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin.

As críticas do magistrado paranaense foram proferidas de acordo com a publicação do despacho que condenou o ex-ministro petista Antônio Palocci a mais de doze anos de prisão.

Críticas à 'pulverização' de processos

O juiz Sérgio Moro atribuiu indiretamente ao ministro Edson Fachin, do #STF, a decisão de "pulverizar" os processos relativos à Operação #Lava Jato, cuja determinação do ministro do Supremo, foi responsável pelo encaminhamento de alguns processos de investigação contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, e contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.

Publicidade
Publicidade

Três processos de investigação contra Lula, e um contra Cunha, foram tirados das mãos de Sérgio Moro por Edson Fachin e remetidos à Justiça Federal de outros estados do país. Esses processos estavam concentrados na Justiça Federal do Paraná com relação a crimes cometidos baseados nas investigações no âmbito dos acordos de delação premiada da empreiteira Odebrecht. O encaminhamento foi dirigido à Justiça Federal de São Paulo, e também à Justiça do Distrito Federal. O juiz paranaense não chegou a mencionar algum fato específico e nem mesmo citou o ministro-relator da força-tarefa no Supremo, Edson Fachin, porém, argumentou que a separação de processos acaba prejudicando a justiça, já que as ações que estão concentradas no âmbito da Operação Lava Jato, possuem fatores que as interligam.

De acordo com a decisão do juiz Sérgio Moro, "diante de um conjunto de crimes que haviam sido cometidos em um mesmo contexto e que possuíam um acervo de caráter probatório comum, a forma que seria considerada equivocada de se lidar com esses processos, é a separação desses processos e provas, de modo que sejam pulverizados em todo o território nacional, contando que acarrete que cada Juízo acabe ficando com uma pequena parte, tornando assim, difícil a compreensão sem a visão do todo", segundo a sentença de Moro em relação ao ex-ministro Antônio Palocci.

Publicidade

Moro foi ainda mais longe ao considerar que "a maneira correta é que os processos inerentes ao esquema criminoso de corrupção na Petrobras ficassem no Juízo prevento (décima terceira Vara Criminal de Curitiba), presente, portanto". A assessoria do ministro Edson Fachin informou que ele não comentaria a decisão do juiz Sérgio Moro. #SérgioMoro