Na última quarta-feira (21), terminou o prazo dado pelo juiz Sérgio Moro para que defesa e acusação entregassem seus argumentos finais sobre o processo que o ex-presidente Lula é réu que trata sobre o apartamento tríplex no Guarujá. A partir desse momento, o juiz de primeira instância pode proferir sua decisão. Segundo matéria publicada pela IstoÉ na última sexta-feira, Moro irá pedir até 22 anos de prisão para Lula. A publicação afirma que seriam 10 anos por lavagem de dinheiro e 12 por corrupção passiva. A revista garante que a sentença já está pronta, ficando a espera apenas do desfecho sobre Palocci para poder ser proferida.

No documento construído pelos procuradores da República de 334 páginas.

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A Lava Jato se baseia em 7 fatores para pedir à prisão do ex-presidente da República. Já a defesa nega todas as acusações feitas pela força-tarefa.

Ocultação de propriedade

Sobre o tríplex, a Lava Jato também acusa o ex-presidente de ocultar esse bem, proveniente de vantagens indevidas por três contratos firmados entre a OAS e a Petrobras. O argumento utilizado pela força tarefa é o de que a defesa afirma que não há documentos que comprovem que Lula é o dono do apartamento, sendo assim, se confirma "que ele praticou o crime de lavagem de dinheiro".

Pedidos

Os procuradores também afirmam que Lula solicitou à OAS que ela assumisse os valores do empreendimento do condomínio Solaris, no Guarujá, justamente o dito tríplex. Segundo Léo Pinheiro, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, solicitou que a OAS atuasse nesse empreendimento, mas o ex-presidente da empreiteira negou dizendo que a OAS só atuava em áreas de grandes capitais.

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"Macrocorrupção"

O MPF afirma que o ex-presidente Lula se utilizou do seu governo para distribuir cargos públicos e montar um grande esquema para receber vantagens para si e seus aliados, que eram indicados para cargos de confiança Ainda afirmou que esses cargos eram utilizados para obtenção de propinas, que serviam para distribuição de favores, tanto para empresas, quanto para políticos e partidos da base aliada.

Petrobras

A força-tarefa afirma que Lula liderou um esquema na Petrobras para sustentar diversos crimes. Ainda classificou que a Petrobras tinha um papel estratégico em todo o esquema de corrupção que sustentava seu governo. Segundo o documento, a indicação de pessoas participantes no esquema em cargos importantes na estatal serviam para garantir que a "roda continuasse girando" de maneira que a Petrobras fosse o centro da corrupção.

Vantagens políticas

Segundo a Operação, Lula teria sido o maior beneficiado desses esquemas de corrupção, pois serviam para arrecadar apoio político em campanhas.

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O argumento é que Lula não utilizou "alinhamento ideológico" para formar seu apoio, e sim o uso do dinheiro do desvio para poder comprar apoio de partidos e políticos, formando o que ficou conhecido como "governo de coalizão". Essa estratégia ajudou que Lula tivesse pouca resistência dentro do Congresso.

Reunião

Lula teve um encontro com o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque. Em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-presidente disse ter questionado Duque sobre as denúncias que apareciam na imprensa sobre ele ter dinheiro desviado da Petrobras no exterior. Segundo Lula, a resposta do ex-diretor foi negativa. E Lula completou: "Não mentiu para mim, mentiu para ele mesmo". A força-tarefa levantou suspeita sobre a relação de um ex-presidente da República e um diretor da Petrobras. Questionou que o interesse de Lula era porque Lula tinha "intrínseca relação" com os crimes cometidos.

Favores

A Lava Jato também acusa Lula de ter recebido favores por ter beneficiado a OAS em alguns contratos. As vantagens seriam justamento o apartamento tríplex no Guarujá que Lula tanto nega ser dono e a Lava Jato tenta provar que ele é. Também o pagamento de R$ 1,3 milhão para o aluguel de espaços para Lula guardar presentes recebidos durante seu mandato. #Dentro da política