O horizonte político de #Aécio Neves era promissor na reta final da campanha no segundo turno das eleições presidenciais de 2014. Depois de um começo incerto de disputa, onde chegou a ficar atrás de Dilma Rousseff, Marina Silva e Eduardo Campos, o tucano cresceu nos números, angariou votos, foi ao segundo turno e por muito pouco não quebrou a hegemonia petista no poder.

A derrota para a Dilma na disputa final foi por uma pequena margem de votos - uma das mais apertadas da democracia brasileira - e Aécio, ainda que derrotado, era um nome forte e em evidência dentro do cenário político brasileiro. No #Senado Federal, com mandato em vigência, cumpriu um papel combativo dentro do processo de impeachment que destituiu Dilma Rousseff e automaticamente se credenciou como um postulante ao pleito de 2018.

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No entanto, o ano de 2017 pode ter representado o sepultamento político daquele que se apresentava como uma grande liderança nacional. Aécio teve conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, com vários diálogos comprometedores. Os dois combinaram uma entrega de dinheiro que fosse servir para o pagamento dos advogados do tucano, investigado pela Operação Lava-Jato.

A "bomba" complicou a situação do candidato à presidência derrotado em 2014. Dado pelo jornal "O Globo", o furo de reportagem feito ainda em maio causou muita apreensão em Aécio, que foi visto deixando o plenário do Senado minutos depois da divulgação nacional dos áudios de Joesley, que comprometiam a ele e ao presidente Michel Temer.

No dia 18 de maio, uma decisão emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) acabou por afastar Aécio de suas funções de senador.

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Mas, desde então, o político mineiro vinha mantendo todos os direitos que o seu cargo dava direito, como por exemplo o carro oficial e a verba indenizatória.

E, nesta quarta-feira, dia 14, véspera de feriado, o Senado confirmou mais algumas sanções impostas ao tucano afastado. A mais simbólica de todas diz respeito ao seu próprio nome, agora ausente no tradicional painel eletrônico que contém os nomes de todos os parlamentares da Casa. O telão é usado especialmente para dias de votações entre os parlamentares.

"Fotografaram tanto esse painel, tiraram tantas fotos desse painel, que resolvemos retirar o nome do senador Aécio Neves em razão da determinação do Supremo Tribunal Federal", explicou Eunício de Oliveira (PMDB-CE), presidente da Casa.

O peemedebista explicou que a retirada do nome de Aécio do painel é "para não gerar nenhum tipo de dúvida". Em outras palavras, a decisão foi no sentido de tentar reforçar a lisura e a imagem independente do Senado ante uma decisão do judiciário.

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Aécio Neves, no entanto, continua recebendo a parte fixa do seu salário relativo às funções para qual foi eleito. O salário parlamentar de R$ 33.763, mais ou menos equivalente a um terço do montante total, seguirá sendo depositado normalmente. Por outro lado, serão descontadas as ausências nas sessões deliberativas que ocorrem no plenário do Senado.

Também nesta terça-feira, em nota oficial, o senador afastado emitiu nota garantindo que está cumprindo com total "respeito e reverência" a ordem do ministro do STF, Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato dentro da Corte. Ao mesmo tempo, no início dessa semana, a chamada "Primeira Turma" do STF decidiu pela manutenção da prisão de Andrea Neves, irmã de Aécio, que também está envolvida nas delações dos irmãos Batista - empresários da JBS, que assolaram a política brasileira com a divulgação de várias gravações comprometedoras com políticos bastante conhecidos.