Uma ação penal movida por uma suposta ameaça à testemunha pode até culminar na prisão de caráter preventivo do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. O político fluminense se tornou réu devido às investigações que resultaram em um possível esquema de compra de votos na cidade interiorana de Campos dos Goytacazes (RJ).

A denúncia se refere aos desdobramentos das investigações da Polícia Federal na denominada Operação Chequinho. De acordo com as investigações dos procuradores do Ministério Público do Estado do #Rio de Janeiro, a Prefeitura do município de Campos dos Goytacazes chegou a oferecer inscrições através de fraudes no programa municipal Cheque Cidadão.

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Por meio deste programa, a quantia de R$ 200 todos os meses era destinada a cada um dos beneficiários. Entretanto, de acordo com as apurações, haveria a disponibilização dos benefícios a usuários por meio de troca de votos.

Testemunha relata ameaças

Durante o mês de maio, uma grave denúncia veio à tona. Uma testemunha da operação revelou à #Polícia Federal que estaria sofrendo ameaças atribuídas ao ex-governador Anthony Garotinho, de acordo com os depoimentos prestados. Haveria uma espécie de pressão para a testemunha não fornecer detalhes a respeito da suposta compra de votos em troca da inclusão no programa Cheque Cidadão da Prefeitura da cidade interiorana.

A testemunha do processo, a radialista Elizabeth Gonçalves, conhecida no município como Beth Megafone, relatou em depoimento prestado no dia 31 de maio que teria sofrido ameaças.

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O Ministério Público do Rio ressaltou que Garotinho estaria "ultrapassando os limites referidos à liberdade de expressão, ao estimular, de modo demasiado, seus simpatizantes e aliados, a atuarem contrariamente às testemunhas do processo".

O MP-RJ solicitou ainda à Justiça Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro que fosse aplicada a prisão preventiva do ex-governador carioca. O pedido está sob análise do juiz substituto da 100º Zona Eleitoral do Estado, Glaucenir Oliveira.

Defesa de ex-governador contesta

A defesa do ex-governador Anthony Garotinho divulgou, por meio da uma nota, que a solicitação do MP-RJ seria, no entanto, caracterizado como um desafio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que a Justiça Eleitoral estadual não seria apta para ser o foro adequado para julgamento de pedidos relacionados ao processo, já que o TSE concedeu "liberdade de se manifestar" a Garotinho.

A defesa solicitou ainda que fosse indeferida a solicitação de prisão de caráter preventivo e que fosse considerada a suspeição do juiz substituto da 100º Zona Eleitoral, que segundo a defesa, "não teria condições de julgar Garotinho de maneira isenta, já que o magistrado responderia a uma denúncia relativa a um processo de calúnia, após tê-lo acusado da prática de suborno". Os defensores do ex-governador também estranharam o fato de o Ministério Público decidir aguardar a mudança do magistrado do caso, em alusão às férias do titular, Ralph Manhães. #Corrupção