Com a aproximação cada vez maior da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer por corrupção, a base aliada do peemedebista já começa a se desesperar. Sem argumentos bons que possam livrar a cara de Temer, deputados e senadores que apoiam o Planalto distorcem informações e tentam implementar o argumento do terror na economia. Segundo a linha de defesa da base, se uma denúncia contra Temer for aprovada na Câmara dos Deputados, a economia do país irá piorar consideravelmente. Curiosamente, em nenhum momento, os aliados tentam provar a inocência do chefe do Executivo.

A expectativa é que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, ofereça uma denúncia contra Michel Temer nesta terça-feira (27).

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O peemedebista deverá ser denunciado por corrupção passiva, obstrução de justiça e formação de quadrilha. A base da denúncia se dá pela delação de executivos da JBS, principalmente do seu proprietário, Joesley Batista. Após a denúncia apresentada, como rege a Constituição, a Câmara dos Deputados precisará aprovar. Somente após passar pela votação dos deputados, a denuncia será autorizada. E é justamente acreditando na força de sua base aliada que Temer pretende barrar a denúncia contra si. São necessários pelo menos 172 deputados para barrar a denúncia da PGR.

O líder do governo no Congresso Nacional, deputado André Moura (PSC-SE), afirmou ao Congresso em Foco que quer "desprezar as alegações técnico-jurídicas" da denúncia a ser oferecida pela PGR. A argumentação do ex-aliado de Eduardo Cunha é que com a aprovação da denúncia contra Michel Temer, haverá um "desarranjo" na economia do País.

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Moura argumenta que a base aliada está preparada para rejeitar a denúncia, pois deseja um momento de estabilidade para que o País volte a crescer.

Já Fábio Ramalho (PMDB-MG), vice-presidente da Câmara dos Deputados e aliado do mesmo partido de Temer, acredita que a denúncia deve ser rejeitada rapidamente na Casa Legislativa para que as reformas propostas pelo governo possam logo ser votadas. Segundo o peemedebista, deve-se ignorar a delação da JBS, pois ela colocou diversos brasileiros no "buraco".

Carlos Marun (PMDB-RS), um dos aliados mais próximos a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), possivelmente o último a roer a corda quando o ex-presidente da Câmara foi preso, também é outro aliado de Temer que defende a rejeição da denúncia sem argumento nenhum. Segundo afirmou ao Congresso em Foco, a denúncia de um presidente só serviria para trazer instabilidade, principalmente quando o país, na opinião dele, está retomando o crescimento. Marun afirma que uma denúncia contra um presidente precisa de "provas efetivas".

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Outro peemedebista a usar o argumento da economia é Mauro Pereira (PMDB-RS). Em sua opinião, não há razão "nenhuma" para se investigar Temer. O colega de partido argumenta que Michel Temer é o homem que está tentando fazer o Brasil crescer novamente, por isso, não deve ser investigado.

Os tucanos ainda são uma incógnita com relação ao voto favorável ou contrário a Temer. Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), vice-líder tucano na Câmara, disse ao Congresso em Foto que se a denunciar vier baseada em "provas" contundentes, "muda tudo".

Beto Mansur (PRB-SP), ex-aliado de Eduardo Cunha, foi outro que afirmou ao Congresso em Foco que os votos de seu partido dependem do teor da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer. Segundo ele, após a denúncia apresentada, a bancada irá analisar e determinará qual será a orientação de voto.

Luiz Mandetta (DEM-MS) afirma que a denúncia precisará ser "consistente". Caso não seja, corre o risco de não passar no plenário da Câmara. #Dentro da política