"Esse governo está podre". Foi dessa forma que o senador Hélio José (PMDB-DF) definiu a atual gestão do presidente Michel #Temer, que nesta semana está em viagem oficial à Rússia e à Noruega. O parlamentar foi dono de um dos três votos da própria base aliada que ajudaram a barrar a reforma trabalhista na comissão especial do Senado Federal - por 10 votos a 9, o parecer foi rejeitado nesta terça-feira.

Apesar de pertencer ao mesmo partido do presidente, José evidenciou o racha existente dentro do próprio PMDB ao fazer duras críticas à gestão do Palácio do Planalto. O senador revelou que tem sofrido retaliação por parte do governo e que isso está ilustrado na demissão de dois dos seus indicados para cargos em diferentes órgãos do Executivo.

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Em tom forte e de oposição, o parlamentar demonstrou profunda irritação com as demissões de Vicente Ferreira, que pertencia ao quadro de funcionários da Sudeco (Diretoria de Avaliação da Superintendência e Desenvolvimento do Centro-Oeste), e de Nilo Gonsalves, que deixou o cargo de superintendente de Patrimônio da União no Distrito Federal (SPU-DF).

"Nós jamais poderemos permitir que esse atual governo transforme votações decisivas para o país em verdadeiros balcões de negócios. Esse governo está podre. É um governo que é corrupto e que deveria ter um mínimo de vergonha na cara e renunciar", disparou Hélio.

Na terça-feira, 20, Hélio José adotou uma postura surpreendente ao votar contra o parecer emitido pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sobre a reforma trabalhista dentro da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal.

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O voto contrário de José acabou sendo decisivo, já que o texto foi rejeitado com placar de 10 votos a 9 entre os senadores pertencentes à comissão.

"Essa reforma trabalhista da maneira como está feita é equivocada. Só vem a precarizar mais ainda a forma como se dá as atuais relações de trabalho. Um governo que está mergulhado nesse monte de corrupção, é inadmissível que que tome uma atitude de retaliação com quem está buscando fazer as coisas de um modo correto", lamentou José, em referência às exonerações dos seus dois indicados.

Na sequência dessa fala, o parlamentar lamentou que o governo adote essa prática nas suas relações governamentais e condenou a "chantagem" promovida pelo Planalto.

"Isso representa uma tremenda falta de consideração. Não tem como aceitar ser coagido ou mesmo chantageado pelo governo".

Posicionamento

Hélio José garantiu que já havia declarado o seu posicionamento contrário à reforma trabalhista aos demais companheiros de PMDB. Ao mesmo tempo, ele admitiu que a postura de Renan Calheiros, ex-presidente do Senado Federal, o influenciou ao votar contra o parecer.

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Nos últimos tempos, Calheiros tem mantido uma postura totalmente contra às principais reformas defendidas pelo governo Temer.

"Eu estou vendo que esse governo está pelo que der e vier. Mas vejo que enlouqueceram de vez. Não tem o menor cabimento pegar um senador da República, eleito, e retaliar por conta de uma votação. Isso não é atitude de um governo que se julga correto", acrescentou.

Na prática, a derrota do governo na votação do parecer desta terça-feira não tem muitos efeitos, já que não tem o potencial de parar a tramitação. Ao mesmo tempo, acaba trazendo preocupação ao demonstrar que as reformas não passarão com facilidade entre os parlamentares.

Segundo Hélio José, o líder do governo, também senador Romero Jucá (PMDB-RR), já o havia alertado anteriormente que ele não deveria dar um voto contra um projeto do governo. A derrota na votação desta terça foi uma das mais duras para o governo Temer.