O Tribunal Regional Federal da 4º Região (TRF-4) atendeu a um pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio do advogado Cristiano Zanin Martins, que alegou não ter sido notificado sobre a inclusão de vídeos nos depoimentos dos delatores Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar.

Diante disso, Zanin pediu que o juiz adiasse o depoimento. Moro, no entanto, negou o pedido alegando "economia processual", mas deixou em aberto a possibilidade de ouvir de novo as testemunhas. O advogado entrou com um habeas corpus no TRF-4 e o desembargador João Pedro Gebran Neto determinou que os delatores fossem ouvidos novamente, conforme desejo de Zanin.

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Em ofício dirigido, nesta terça-feira (06), ao desembargador Gebran Neto, Sérgio Moro informou ao TRF-4 que Zanin pode estar mentindo ao dizer que fora surpreendido com a inclusão dos vídeos. De acordo com o magistrado, o defensor não abriu a intimação eletrônica enviada no final de maio, mas acessou o registro de advogados ao vídeo.

Isso mostra que Zanin recebeu todos os detalhes da audiência e acessou, no dia 31 de maio, várias vezes o depoimento de Emílio e Alexandrino. Segundo o juiz, foram registrados oito acessos e a impressão que se dá é que o advogado está mentindo em relação a não ter recebido os elementos de prova relevante.

Registros eletrônicos

Moro afirmou que o advogado faltou com a verdade frente ao Tribunal e ele não pode ter sido surpreendido, conforme diz, porque acessou por diversas vezes à prova com relativa antecedência.

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Os registros eletrônicos das entradas do advogado no processo confirmam isso.

Os novos depoimentos de Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar foram marcados para o dia 12 de junho. Eles são testemunhas de acusação chamadas pelo Ministério Público Federal (MPF), no processo em que #Lula é acusado pela Operação #Lava Jato de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na denúncia, o petista se beneficiou de propina da construtora para comprar um terreno que seria a sede do instituto Lula.

Corrupção

O dinheiro possivelmente usado na compra desse terreno foi desviado de obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, das refinarias Abreu e Lima, além da construção de plataformas e montagem de um gasoduto.

Zanin e Moro já tiveram um desentendimento, na segunda-feira (05), durante audiência do ex-deputado do Partido Progressista, Pedro Corrêa. O atrito entre eles parece que vai longe.

O advogado reluta em tirar a paciência do juiz e afirma que a defesa precisa de mais tempo para se preparar. Moro parece que não quer perder tempo e mostrou persistência nos julgamentos. #SérgioMoro