Uma semana depois de ser condenado a 9 anos e 6 meses pelo juiz Sérgio #Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, concedeu entrevista na manhã desta quarta-feira à Rádio Capital, do interior de São Paulo, e voltou a fazer duras críticas ao modo como aconteceu sua condenação. Ele voltou a falar em "julgamento político" e criticou a Operação Lava-Jato.

Lula já está recorrendo da sentença que o condenou, mas ainda é réu em outro processo comandado por Moro, na Justiça Federal do Paraná. Esta ação avalia supostos benefícios que o líder petista teria tirado a partir de esquemas ilícitos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

Publicidade
Publicidade

À Capital, Lula chegou a chamar Moro de "czar", como se tomasse decisões acima das leis existentes.

"Ele (Sérgio Moro) não pode seguir se comportando como um czar (durante o Império Russo, esse termo remetia aos soberanos). Moro faz o que quer, quando quer, sem respeitar nada, nem a Constituição, e não deixa nem a defesa se pronunciar", reclamou Lula.

"Depois de 70 anos de vida, eu não vou, sob hipótese alguma, deixar que alguns jovens mal-intencionados tentem jogar a minha imagem na lama", acrescentou, ao criticar a equipe de investigação da Lava-Jato, formada essencialmente por jovens.

Criticado por Lula, o Ministério Público Federal (MPF) diz que sofre ataques constantes do ex-presidente e de seus seguidores. Nesta segunda-feira, por exemplo, procuradores da Lava-Jato consideraram que Lula merecia uma pena ainda mais alta e que vão apelar da sentença proferida.

Publicidade

Críticas ao julgamento

No entendimento do ex-presidente Lula, sua condenação está na mesma esteira do processo de impeachment que destituiu Dilma Rousseff do cargo no Palácio do Planalto em agosto de 2016. Desde então, o ex-vice-presidente Michel Temer ocupa a cadeira mais importante do Executivo brasileiro.

"Foi dado um golpe no ano passado (em referência ao impeachment de Dilma). Mas, se eu voltar, esse golpe não fecha. E é por isso que eu estou disposto a brigar", garantiu Lula, em referência às eleições presidenciais marcadas para o segundo semestre do ano que vem.

No entanto, para se candidatar mais uma vez à presidência da República, Lula não depende apenas de sua própria vontade. A partir da condenação dada por Moro em primeira instância, o ex-presidente fica na dependência do julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para saber qual será o seu destino político. O órgão representa a segunda instância dos julgamentos oriundos da Operação Lava-Jato.

Caso o Tribunal confirme ou até aumente a pena imposta a Lula, ele fica impossibilitado de tentar se candidatar a qualquer tipo de cargo público.

Publicidade

Logo, estaria fora do pleito presidencial de 2018, que no qual tem manifestado total interesse em participar. Faltando pouco mais de um ano para a disputa, o Partido dos Trabalhadores (#PT) não tem algum plano B ou outro nome que possa ser lançado com força a não ser o próprio Lula.

Especialistas entendem, por outro lado, que a decisão do TRF sobre o petista não deve sair em menos de um ano. Vale lembrar que Lula tem liderado todas as pesquisas prévias de intenção de voto para a disputa eleitoral de 2018. Nomes como João Doria, Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes são outros que já foram cogitados como possíveis rivais nessa briga. Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente do Brasil entre os anos de 2003 e 2011, com uma reeleição no meio. Após seu mandato, ele foi fundamental para a eleição de Dilma Rousseff, que foi sua ministra e integrava o Partido dos Trabalhadores.