A segunda-feira (3) foi marcada pela prisão de mais um ex-ministro de Michel Temer. Dessa vez, um dos mais próximos, alguém considerado como um dos braços-direitos do peemedebista, Geddel Vieira Lima. O ex-secretário de Governo da Previdência foi preso na Operação Cui Bono, da Polícia Federal. O pedido de prisão preventiva de Vieira Lima é baseado no depoimento do doleiro que tratava dos interesses do PMDB, Lúcio Funaro, e dos executivos da J&F, Joesley Batista e Francisco de Assis e Silva. O ex-ministro de Michel Temer é acusado de tentar obstruir a Justiça.

A função de Geddel Vieira Lima era fazer com que o ex-deputado presidiário, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), permanecesse calado.

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O ex-presidente da Câmara dos Deputados cumpre pena de 15 anos e quatro meses de prisão desde outubro de 2016. O peemedebista foi preso por Moro dias após ter tido o mandato cassado pelo plenário da Câmara. Além de Cunha, o próprio Funaro, que entregou Vieira Lima, era outra responsabilidade do agora ex-ministro preso, que deveria mantê-lo calado.

Geddel Vieira Lima se utilizava de dois artifícios para cumprir seus objetivos: orquestrar o pagamento de uma espécie de mesada para que ambos ficassem calados, além de pressionar e constranger Funaro a não fazer um acordo de delação. Curiosamente, em sua conversa gravada com Temer, Joesley teria confidenciado ao peemedebista que estava pagando um valor a Cunha para que ele ficasse calado.

No depoimento em que entregou o ex-ministro de Temer, o doleiro apresentou conversas de Geddel Vieira Lima com sua esposa no WhatsApp.

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Nesses contatos, o político questionava a esposa de Funaro se ele teria alguma pretensão de fechar um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF). O argumento do pedido de prisão era o que de Geddel Vieira, mesmo não ocupando mais cargo público, continuava articulando para obstruir a Justiça e que ele já era reincidente.

Geddel Vieira Lima é o quinto preso no âmbito da Operação Cui Bono. Os outros são Eduardo Cunha, histórico aliado de Michel Temer, Eduardo Alves, ex-ministro de Temer, Funaro, apontado como doleiro do PMDB, e André Luiz de Souza.

Histórico

Geddel tem um histórico longo de suspeitas. No âmbito da Lava Jato, ele é acusado de receber vantagens indevidas das empreiteiras Odebrecht e OAS. Um dos casos nacionais mais famosos foi a pressão feita por ele contra o ex-ministro da Cultura de Michel Temer, Marcelo Calero, para que o Ministério da Cultura liberasse a construção de um prédio em que ele tinha um imóvel que estava sendo construído em um espaço tombado pelo patrimônio histórico de Salvador.

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O aliado de Michel Temer já veio de berço político. Filho do ex-deputado Afrísio Vieira Lima, começou jovem no cenário politico baiano. Aliados do governador Antônio Carlos Magalhães, Geddel ocupou o primeiro cargo público no começo da década de 80, após ser nomeado por ACM para dirigir o Banco do Estado da Bahia.

No famoso caso dos "anões do orçamento", CPI que correu na Câmara dos Deputados em 1993, era um dos investigados. Por sorte, um colega de estado, Luís Eduardo Magalhães, filho de ACM, presidia a Câmara dos Deputados à época e resolveu articular para salvar seu mandato.

A rixa entre Geddel Vieira Lima e ACM cresceu quando o icônico político baiano começou a acusar o ex-ministro de Temer por diversos crimes, como a compra indevida de fazendas e casas. Antônio Carlos Magalhães chegou a chamar, com todas as letras, Vieira Lima de "ladrão".

Outra rixa com mais um político falecido se deu com Itamar Franco, o qual foi chamado por Vieria Lima, em 2002, quando o mesmo ocupava a liderança do PMDB na Câmara, de "desleal". Em resposta, Franco ironizou Geddel o chamando de "analzinho do orçamento", em referências as acusações passadas do ex-ministro. #Dentro da política