A situação de Michel Temer fica cada dia mais insustentável à frente do Executivo. Após a delação da JBS, o peemedebista se tornou o primeiro presidente da República a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por crimes cometidos durante o exercício do mandato. Além da denúncia que já tramita na Câmara dos Deputados, é esperado a qualquer momento um novo inquérito, agora envolvendo supostos intermediários de confiança de Temer que recebiam propina por ele.

A Procuradoria-Geral da República já entrou com um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar um decreto publicado por Temer em maio do ano passado.

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A PGR suspeita que houve favorecimento a um grupo de empresário. O Supremo ainda não decidiu se autoriza a investigação.

A suspeita sobre esse esquema surgiu após uma conversa gravada pelo delator da JBS, Ricardo Saud, e o ex-assessor do Planalto, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o homem da mala de 500 mil reais que já foi preso. Na conversa entre os dois, eles citam alguns nomes. A PGR interpretou que essas pessoas citadas eram intermediárias para receber a propina que seria paga pela JBS e, supostamente, já teriam feito esse papel outras vezes.

Os nomes citados por Saud e Rocha Loures foram: Ricardo, Celso, "Coronel", Edgar e Yunes. Todos foram identificados pela Polícia Federal. Ricardo e Celso seriam Ricardo Conrado Mesquita e Antônio Celso Grecco. "Coronel" seria João Baptista Lima Filho, dono da Argeplan Arquitetura e Engenharia.

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Edgar, segundo a PF, é Edgar Rafael Safdie. E Yunes seria José Yunes, advogado que já trabalhou como assessor do Planalto, mesmo cargo já ocupado por Rodrigo Rocha Loures. Segundo o documento da PGR em que solicita a investigação ao STF, esses nomes seriam os intermediários para o recebimento de propina para Temer.

Conheça os suspeitos

Ricardo Mesquita e Celso Grecco

Segundo o delator da JBS, Rocha Loures teria apontado Ricardo Mesquita como um possível intermediário para receber a propina. Saud afirmou que o ex-assessor de Temer retirou um cartão do bolso em um de seus encontros e insistiu que Mesquita fosse que recebesse a propina, porém, o delator não teria aceito. Nas conversas, Saud também afirma que já havia feito muito negócio com "o Ricardo e com o Celso".

Um dos encontros entre Rocha Loures e Saud foi gravado com autorização do STF. Na conversa, eles tratam sobre para quem vai ser entregue a propina. É nesse momento que Loures fala que Ricardo Saud tem duas opções: "o Edgar ou o teu xará".

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Edgar Rafael Safdie

O empresário é um amigo pessoal de Rodrigo Rocha Loures que trabalha no ramo financeiro em São Paulo. A suspeita recaiu sobre ele pela Polícia Federal por ter encontrado ligações e trocas de mensagens no celular de Rocha Loures apreendido após sua prisão. O empresário já falou à Polícia Federal e negou qualquer tipo de envolvimento no esquema de propina.

Coronel

Também na conversa entre Saud e Rocha Loures, o delator da JBS afirma com todas as letras: "já entreguei dinheiro demais pro coronel". A suspeita da Procuradoria é que o ex-assessor de #Michel Temer, coronel aposentado da Polícia Militar João Batista Lima Filho, seja a pessoa citada por Saud.

O "Coronel" trabalhou com Michel Temer nas décadas de 80 e 90. O nome de Batista Lima também surgiu por outros delatores da JBS, que afirmaram ter entregue em seu escritório a quantia de R$ 1 milhão para ser repassada a Michel Temer

Yunes

O nome do advogado também aparece na gravação, quando Rocha Loures afirma que " o Yunes não pode mais". José Yunes é um dos homens de confiança de Temer, mas após ter aparecido em diversas delações, pediu demissão do cargo que ocupava no governo. #Dentro da política