O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, não gostou nada da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (#STF) Marco Aurélio Mello de conceder ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) a volta às suas funções de senador e de negar o pedido de prisão dele feito pela Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot. Na visão de Dallagnol, essa decisão do ministro está errada, já que Aécio poderá atuar contra a Operação Lava Jato tramando, inclusive, o fim das investigações.

O pedido de prisão de Aécio foi feito por Rodrigo Janot. O procurador-geral da República acusou o parlamentar de aprovar propostas legislativas para evitar possíveis punições aos criminosos.

Publicidade
Publicidade

Um dos exemplos dados por Janot é a anistia ao caixa 2, que acabou não sendo aprovada, e a Lei de Abuso de Autoridade, onde o senador foi flagrado em uma conversa telefônica com o ministro do STF Gilmar Mendes.

No diálogo entre eles, se percebe a tentativa de fazerem acordos com outros parlamentares para a aprovação da lei. Essa lei foi muito criticada pelos procuradores da Lava Jato, pelo juiz federal Sérgio Moro e acabou sendo aprovada pelo Senado no fim de abril.

Dallagnol comentou que havia razões de sobra para Aécio continuar preso. A decisão de Marco Aurélio mexeu com os ânimos dos procuradores da Lava Jato, que não concordaram com isso. Pelo Twitter, Dallagnol repudiou duramente as atitudes do ministro.

Elogios do ministro

Além de ter seu cargo retomado e não ser preso, Aécio ainda recebeu do ministro Marco Aurélio a devolução do seu passaporte e o autorizou a conversar com quem tenha vontade, inclusive, com os investigados da Lava Jato.

Publicidade

O ministro também elogiou a conduta do senador afirmando que ele é brasileiro nato, chefe de família e possui uma carreira #Política elogiável.

Complicações do senador

O senador foi alvo de gravações em que pedia R$ 2 milhões para o empresário Joesley Batista, dono da JBS. O dinheiro foi entregue para um primo do senador, que chegou a ser preso da Operação Patmos, mas conseguiu a prisão domiciliar por decisão do Supremo.

O ministro Mello não se importou com esses fatos e preferiu ignorá-los. Ele decidiu sozinho pela negação da prisão de Aécio porque já estava próximo o recesso do Judiciário.

Aécio vibrou muito com a decisão de Mello e disse que confia na Justiça do Brasil. Ele ressaltou que foi vítima de uma armação e que nunca pensou em frear as investigações da Lava Jato. Aécio disse que apoia a operação desde o início dela. #Deltan Dallagnol