O deputado federal Carlos Bezerra, presidente do PMDB de Mato Grosso, afirmou que a denúncia apresentada de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer, também do PMDB, dentro das investigações da Operação Lava Jato, pode ser equivalente ao julgamento que culminou com a crucificação de Jesus Cristo. Ele disse que a gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, que acabou embasando a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra seu colega de partido, não é suficiente para ser utilizada como prova da prática do referido crime.

Segundo Bezerra, a gravação não prova nada. O deputado destacou que o princípio alegado pelo relator do in dubio pro societate foi uma figura inventada onde o primeiro a ser condenado por ela foi o próprio Jesus Cristo.

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Bezerra afirmou que, mesmo não se descobrindo nenhum crime do líder dos cristãos, o povo da época invocou por sua condenação a qualquer custo, quando Pilatos mandou que fosse morto, mesmo Jesus sendo um inocente.

A declaração do deputado foi feita em entrevista para o Jornal do Meio-Dia, da Record Cuiabá, desta segunda-feira (24). Carlos Bezerra é membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e votou contra o relatório apresentado que pedia o andamento da denúncia contra #Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o parlamentar, o posicionamento adotado levou em conta que a peça era inepta. O deputado lembrou que é advogado e se especializou em direito criminal. Para ele, a denúncia apresentada é totalmente inepta do ponto de vista técnico, e disse que aqueles que conhecem de direito penal sabem disso.

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A 'falácia' das emendas

Com relação à liberação de R$ 1,8 bilhão em emendas parlamentares que o governo destinou próxima à votação, sendo mais de R$ 100 milhões destinados aos membros da CCJ em um período da votação considerado decisivo para Temer, Bezerra negou qualquer ligação desses recursos financeiros com o seu voto pela rejeição do prosseguimento da denúncia. Ele afirmou que nunca precisou negociar para emenda e classificou a notícia de ''falácia'', afirmando que a liberação das emendas são impositivas e legais, e assim o governo é obrigado a fazê-lo.

Convém lembrar que a decisão final sobre o prosseguimento ou não do julgamento da denúncia no STF contra Temer será deliberada pelo plenário da Câmara dos Deputados. Para que o processo contra Temer avance, serão necessários 342 votos favoráveis. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), escolheu 2 de agosto com uma data para que a votação aconteça. #Política