A velha expressão "mais perdido do que cego em tiroteio" cabe muito bem para simplificar como se encontra Michel Temer no momento. Ao passo que há algumas semanas, quando foi fazer um tour pela Europa com a intenção de mostrar ao mundo um ar de normalidade no Brasil, Temer voltou "com o rabinho entre as pernas" após constatar o desprestígio que sua figura tem perante outros líderes de Estado. O peemedebista pretendia viajar para a conferência da cúpula do G20, mas depois de tamanha vergonha que passou fora do país, resolveu cancelar e tentar se amarrar ao que resta de sua posição no cargo que ocupa.

Depois de ser humilhado fora do Brasil, Temer resolveu passar vergonha também internamente.

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Quando assumiu, disse que queria ser reconhecido pela história como o "presidente reformista". O máximo que conseguiu foi ser o primeiro presidente na história do País a ser denunciado por corrupção enquanto estava no mandato.

Perante tudo isso, o peemedebista resolveu se "defender". Mas ao invés de comprovar inocência, sua defesa se deu através de ataques e articulações, no mínimo, duvidosas. Após a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer começou a atirar contra a figura do magistrado. Mas ele não estava sozinho, contou com a ajuda do fiel escudeiro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aquele mesmo que absolveu Temer, e ministro do Supremo Tribunal Federal, juiz que deverá votar por tornar o peemedebista réu e o afastar do cargo ou não, Gilmar Mendes.

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Amigos de longa data, Mendes e Temer costumam aproveitar jantares fora da agenda juntos. O último teve a companhia de Moreira Franco e Eliseu Padilha, outros dois investigados pela Lava Jato com foro privilegiado que Mendes eventualmente terá que julgar.

Azar na delação, sorte no sorteio

Chegando a outra figura fortemente interessada em fechar o "Grande Acordo", Aécio Neves se viu em maus lençóis após a divulgação da delação da JBS. Primo e irmã presos e ele afastado do Senado. Mas, pelo visto, os ventos do Supremo Tribunal Federal voltaram a soprar a seu favor.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, resolveu redistribuir alguns inquéritos que ela considera não terem ligação com a Lava Jato e tirar da relatoria de Edson Fachin. Três desses inquéritos envolvem Aécio Neves. Curiosamente, o primeiro caiu no colo de Alexandre de Moraes, filiado ao PSDB por anos e nomeado por Temer ao STF, tendo deixado de ser, oficialmente, tucano um dia antes de se tornar ministro do Supremo. Outros dois foram parar na conta de nada mais, nada menos do que Gilmar Mendes.

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Vale lembrar que Aécio e Gilmar são "coleguinhas" há algum tempo, tendo sido, inclusive, divulgada uma conversa entre ambos com o senador pedindo um "favor" ao ministro.

Mas quem pensa que a sorte tucana fica só com Aécio está muito enganado. José Serra e Aloysio Nunes também respondem a um inquérito no Supremo. Após a redistribuição e o sorteio eletrônico, adivinhem só quem ficou com a relatoria. Gilmar Mendes.

Uma informação precisa ser ressaltada. O algorítimo que faz o sorteio dos relatórios é desconhecido. A presidente do STF, quando assumiu o cargo, informou que o processo de sorteio passaria por uma auditoria. Porém, essa suposta auditoria só seria feita nesse mês de julho.

Profetas?

Na conversa gravada entre Jucá e Sérgio Machado, algumas profecias foram feitas. Ambos disseram que precisaria ter o impeachment e "a solução mais fácil era botar o Michel". Também previram a cassação de Eduardo Cunha. Chegaram até a falar que "o primeiro a ser comido vai ser o Aécio". E completaram: "Quem não conhece o esquema do Aécio?". Pelo visto, só Gilmar Mendes e o algoritmo do STF. #Dentro da política #PMDB