A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, recebeu em seu gabinete documentos de conteúdo importantíssimo contendo informações coletadas por investigadores. Nesses documentos estão detalhes sobre o acordo de delação premiada do ex-operador #Marcos Valério de Souza, que envolve políticos com foro privilegiado.

O juiz Wagner de Oliveira Cavalieri, da Vara de Execuções Penais de Contagem, Minas Gerais, afirmou que Marcos Valério, o operador do mensalão, possui preciosas informações que comprovam irregularidades da República.

Por essa razão, o juiz afirmou que autorizou a transferência de Valério da unidade prisional Nelson Hungria para a Associação de Proteção e Assistências ao Condenado (Apac).

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Segundo o juiz, essa transferência já faz parte do acordo de colaboração com a Justiça feito pelo operador com a Polícia Federal.

Prioridade total

A autorização do juiz foi assinada na segunda-feira (17), e junto com a transferência, o magistrado pediu que fosse dado prioridade para Valério frente a outros detentos que estão com possibilidade de irem para a Apac. Cavalieri quer que Valério "fure a fila", pois suas informações envolvem grupos poderosos e ele pode correr perigo.

A Apac é um modelo prisional onde os detentos não usam uniformes, trabalham e eles mesmos são responsáveis em carregarem suas chaves. O objetivo dessa unidade é mostrar que o interesse público se sobressai sobre o particular. Um ponto importante e que deve ser observado é que o Ministério Público, que nunca se interessou pela delação, se mostra ávido a ajudar que Valério vá para a Apac.

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Como a Corte está em recesso, Cármen Lúcia decidirá se homologa a delação ou espera os ministros voltarem.

Delação

A possibilidade da presidente da Corte homologar o acordo do operador é muito grande. No final de junho, ela havia feito um pronunciamento defendendo as delações. Ela aprovou o acordo do Ministério Público Federal com os irmãos Joesley e Wesley Batista dizendo que não caberia a ninguém mudar o que já tinha sido combinado.

As delações dos irmãos causaram muitas críticas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que favoreceu os executivos da JBS sem oferecer nenhuma punição. Rodrigo Janot disse que isso aconteceu porque as provas trazidas por eles eram bem robustas e iriam ajudar muito nas investigações.

Cármen Lúcia deixou bem claro que o Poder Judiciário não faria nenhuma revisão judicial no acordo do MPF. #STF #CármenLúcia