O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta terça-feira, dia 25, um recurso onde defende que o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara #Eduardo Cunha (PMDB-RJ) permaneça preso. O ex-parlamentar está detido em Curitiba desde outubro de 2016, após decisão do juiz Sérgio Moro, responsável pela condução dos julgamentos provenientes da Operação Lava-Jato.

O recurso de Janot foi anexo junto a um pedido de habeas corpus solicitado pela defesa de Cunha. O pedido de liberdade provisória apresentado pelos advogados de Cunha será agora julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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No documento, Janot afirma que utilizou seus mandatos como deputado federal para “sedimentar o poder político”, declarando que o ex-deputado tem “potencial delitivo” de “influenciar seus asseclas”, que ainda ocupam cadeiras no Congresso nacional. No recurso, o Procurador-Geral também afirma que as ações de Cunha são “um indício de personalidade voltada ao crime”.

Atualmente, Cunha cumpre a pena no Complexo Médico-Penal (CMP) de Pinhais, localizado na região metropolitana da capital paranaense. Ex-homem forte da Câmara e um dos principais responsáveis pelo processo que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Cunha foi condenado por Moro a 15 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de dívidas.

No recurso em que defendeu a manutenção de Cunha no cárcere, Janot também destacou as investigações que apontam que o ex-deputado possuí verbas não declaradas em contas no exterior, além de possuir dupla cidadania, brasileira e italiana, o que poderia facilitar uma possível tentativa de fuga para fora do país.

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No documento, o Procurador também citou o recente envolvimento do nome de Cunha na delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que gravou uma conversa com o presidente #Michel Temer (PMDB) onde afirma estar pagando uma mesada para manter Cunha em silêncio enquanto cumpre pena.

Possível delação de Cunha gera preocupação nos corredores do Planalto

Considerado um dos políticos com maior envolvimento nos recentes esquemas de corrupção noticiados no Brasil, Cunha estaria dedicando seu tempo na prisão para tentar elaborar um acordo de delação premiada [VIDEO] com o Ministério Público Federal (MPF), onde tentaria usar informações que possuí como moeda de troca para conseguir a liberdade.

Segundo informado na última semana pelo jornal Folha de S. Paulo, a notícia de que o ex-deputado estaria preparando sua delação gerou preocupação no Planalto. Segundo a colunista do mesmo períodico, Monica Bergamo, as revelações de Cunha poderiam envolver diretamente a figura do presidente Michel Temer em novos escândalos de corrupção.

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Atual presidente da Câmara e primeiro na linha de suceção da presidência da República em caso de queda de Temer, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) também poderia ser prejudicado com uma possível delação de seu antecessor na presidência da casa parlamentar. De acordo com uma investigação da Polícia Federal, Maia teria apresentado uma medida provisória (MP) para beneficiar a construtora OAS em troca de R$ 1 milhão em propina.

No início deste mês, Cunha teve um pedido de liberdade negado pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta semana, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que os investigadores da Lava-Jato anexaram ao processo de Cunha documentos que mostram que o ex-deputado era responsável por um loteamento de cargos que favoreceriam seu partido, o PMDB, durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Segundo o diário, os papéis foram apreendidos durante uma operação realizada em 2015. #Lava Jato