A frase famosa atribuída popularmente ao sarcástico jornalista Nelson Rodrigues, que diz “toda da unanimidade é burra”, parece fazer mais sentido no Brasil da atualidade. No meio da crise política que divide os brasileiros entre mortadelas e coxinhas, está a Operação Lava Jato, que ganha aplausos de uns e incita o ódio de outros. [VIDEO]

Chamou a atenção nos últimos dias a reação de internautas devido a uma publicação da apresentadora #Xuxa. Na foto, onde aparece Moro como “uma das pessoas que estão mudando o mundo”, Xuxa pede a seus seguidores fazerem a publicação viralizar e declara sua admiração pelo juiz, agradecendo “por este grande ser humano”.

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Ela conseguiu seu intento, mas a reação não foi a esperada. Foram 43 mil compartilhamentos e cerca de 15 mil comentários, a maioria, porém, contrários, como “admiração de um cara que não condena Aécio”, “não caia nessa”, “esse homem é um vexame”, “ele teria respeito se não fosse parcial... se não tivesse um caso amoroso com o PSDB”.

Fatos

Paranaense de Maringá, Sergio é filho de um dos fundadores do PSDB daquele estado. Dalton Áureo Moro, que morreu em 2005, era conhecido por suas ideias ultradireitistas. Juiz federal desde 1996, #Sergio Moro é especialista em crimes financeiros e sua passagem pela “Harvard Law School” leva muita gente a identifica-lo como defensor dos Estados Unidos.

Algumas passagens da vida pregressa do juiz conduzem às acusações de parcialidade, como o tempo em que trabalhou no escritório do advogado de Jairo Gianoto, ex-prefeito de sua cidade natal pelo PSDB, condenado e preso por gestão fraudulenta, tendo Moro sido uma de suas testemunhas de defesa.

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Outro acontecimento que leva a ligar o juiz ao PSDB é o caso do BANESTADO, julgado por Moro em 2003, ocasião em que foram presos alguns laranjas e doleiros. Neste escândalo, que envolveu o montante de cerca de 500 bilhões de reais em remessas ilegais para os EUA, as delações contra os tucanos Jaime Lerner e Álvaro Dias não deram em nada.

No julgamento do Mensalão do PT, quando Moro era assessor da ministra Rosa Weber, foi condenado o petista José Dirceu, sob a admissibilidade de que não havia provas, mas que a literatura jurídica assim permitia.

Outro detalhe que levanta suspeitas é que o doleiro Alberto Yosseff, que apareceu pela primeira vez no caso do BANESTADO e voltou à cena na #Lava Jato, além de não estar preso, manteve boa parte de seu patrimônio ilícito, recebendo todas as vantagens de suas delações premiadas.

Com três anos em andamento, a Lava Jato insiste em ignorar as acusações contra membros do PSDB, PMDB e PP, amplamente citados nas várias delações. Em contrapartida, foram presos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o já citado José Dirceu.

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Além destes, foi recentemente condenado a 9 anos e meio de prisão o ex-presidente petista Luís Inácio Lula da Silva, que, no entanto, não foi preso.

A investigação e o desmascaramento da corrupção intrínseca nos meios públicos brasileiros, que tanto lesaram o país, deram sinais de que fariam uma real limpeza na política brasileira, porém, com a morte do ministro Teori Zavascki, que apregoava punição a todos os envolvidos, a impressão que fica é de que a balança está pendendo apenas para um lado.

Quem perde com isso é toda a população do país, que um dia teve esperança de que uma operação do tamanho da Lava Jato, que revelou um desvio de mais de 20 bilhões de reais da Petrobras, pudesse mudar os rumos da política corrupta na qual o Brasil afunda. Com o passar do tempo, mocinhos podem virar vilões e vice-versa.