A presidente da mais alta Corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, fez uma análise profunda sobre a situação do Poder Judiciário no Brasil, inclusive, em relação às expectativas dos cidadãos brasileiros, num período considerado extremamente "conturbado" frente à grave crise política que permeia a realidade brasileira.

Nesta sexta-feira (07), a ministra Cármen Lúcia também dirigiu suas críticas à Justiça, já que, de acordo com sua análise, haveria uma verdadeira "falta de comunicação" entre o Poder Judiciário para com a "sociedade brasileira", segundo a magistrada. Essa situação acabou refletindo substancialmente para que as decisões tomadas pela Justiça, resultem, muitas vezes, a um aspecto que "não sejam entendidas pelo conjunto dos cidadãos comuns".

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'Insatisfação' do povo brasileiro

A presidente do Supremo Tribunal Federal (#STF) foi contundente ao afirmar que "o povo não estaria satisfeito, nem ela", em alusão às críticas e denúncias provenientes da sociedade em relação ao papel desempenhado pelo Poder Judiciário. A magistrada ainda fez uma comparação ao relatar que "estaria igual a uma mulher que apanha, pois no momento em que a pessoa pegasse um chicote para que fosse golpear a um cachorro, ela já sairia correndo, já que todo mundo falaria o tempo inteiro".

Em outra crítica "indireta" aos juízes, Cármen Lúcia ressaltou que haveria uma "incapacidade de comunicação com a sociedade brasileira". As declarações da presidente do Supremo foram dadas durante a realização de um evento para corregedores de Justiça e desembargadores do estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, na sede do Tribunal de Justiça do Estado.

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A ministra Cármen Lúcia afirmou ainda que quando se refere à sociedade, não estaria se dirigindo a uma situação "abstrata". Ainda de acordo com a magistrada, "o direito seria uma grande muralha que mesmo num momento de fúria, a lei deveria ser acatada, conforme o mesmo ocorresse durante um momento de alegria, ou seja, em qualquer circunstância".

A presidente do Supremo Tribunal Federal foi ainda mais longe ao considerar que os juízes precisam cogitar a "legitimidade", já que "ninguém iria decidir segundo o que o povo desejasse, pois, o papel do Supremo Tribunal Federal seria relativo ao desempenho de uma força contra majoritária porque o direito seria considerado razão em relação da pólis, pelo fato de a emoção popular não poder exercer domínio sobre o direito". Vale ressaltar que na última semana, a ministra Cármen Lúcia, em um discurso de encerramento de sessão em Plenário do STF, argumentou que o "clamor de justiça que hoje se encontra presente em todos os cantos do Brasil não poderá ser ignorado em qualquer decisão referente a essa Casa". #CármenLúcia #Corrupção