O texto que prevê alterações nas leis trabalhistas [VIDEO] foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 26 de abril e seguiu para a apreciação dos senadores, que, no início da noite desta terça-feira (11), aprovaram a matéria com 56 votos a favor, 20 contrários e uma abstenção.

A aprovação da pauta é uma significativa vitória para o presidente #Michel Temer, que está sendo investigado por corrupção passiva e pode perder o cargo devido à divulgação de um áudio gravado por um dos donos da JBS, Joesley Batista, em que o político aparece, supostamente, solicitando que se mantivesse um pagamento ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para que o mesmo não faça um acordo de delação premiada.

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Ao longo da sessão, a mesma foi interrompida diversas vezes devido a senadores oposicionistas ao governo. Senadoras contrárias ao projeto, num gesto inédito, tomaram a mesa diretora do plenário, impedindo o prosseguimento da votação.

Eunicio Miranda, presidente do Senado, em retaliação ao protesto das políticas, mandou cortar o áudio dos microfones e em seguida solicitou que se apagassem as luzes do plenário.

Após quase 7 horas de interrupção, a votação teve continuidade e foi então aprovada, sem modificações no texto.

A matéria segue agora para sanção presidencial.

São, ao todo, 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que serão alterados pela reforma. O texto-base permite, por exemplo, uma jornada de 12 horas de trabalho diário, respeitando o máximo de 48 horas semanais; as férias podem ser divididas em três períodos no decorrer do ano, o que deve ser estabelecido de comum acordo por patrão e empregado; além disso, diminui a interferência da Justiça Trabalhista nas negociações.

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Especialistas falam sobre a aprovação da reforma

De acordo com Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV/IBRE, a mudança é uma importante conquista, pois flexibiliza as relações entre empregado e empregador. Para o economista, o texto que altera a CLT, sancionada em 1943 por Getúlio Vargas, moderniza as relações de trabalho, já obsoletas em relação ao cenário econômico atual.

"As mudanças têm o potencial de reduzir os custos trabalhistas, aumentar a formalização e favorecer as possibilidades de emprego. Eu vejo a reforma com bons olhos, pois deve reduzir a taxa de desemprego ao longo do tempo.", declarou o pesquisador.

Já para José Lúcio Fernandes, as alterações agridem a CLT e são prejudiciais à classe trabalhadora. Segundo ele, o fato de a Justiça Trabalhista ter menos influência nas negociações, colocarão o empregado numa situação delicada ao ter que negociar diretamente com o empregador, pois o mesmo vai se sentir obrigado a aceitar as imposições do patrão para não perder o emprego. #Política #reforma trabalhista