A segunda-feira não foi de boas notícias para o presidente Michel #Temer, que tem visto o governo ficar ameaçado desde o vazamento de sua conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, divulgada por O Globo ainda no mês de maio. A nova "derrota" de Temer veio no primeiro desdobramento da denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que acusou o peemedebista pelo crime de corrupção passiva.

Antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), a denúncia necessariamente precisa passar pela #Câmara dos #deputados. E, nesta segunda-feira, o relator do processo Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) recomendou admissibilidade da denúncia em parecer lido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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A leitura durou cerca de uma hora.

"Os fatos nos levam à conclusão de que, no mínimo, existem indícios de uma atividade delituosa", salientou Zveiter na leitura de seu relatório. Há indícios sérios para ensejarmos o recebimento desta denúncia da Procuradoria-Geral. Por tudo o que temos conhecimento sobre o tema, não é fantasiosa a acusação. Ela deve ser apurada", acrescentou.

No relatório, o deputado do PMDB faz questão de inserir a importância do apelo público neste momento. Prova disso é que, em determinado momento da leitura, ele faz a seguinte citação: "Barrar o avanço da denúncia e não permitir investigações e posterior julgamento seria aumentar de forma perigosa o abismo que já existe entre a sociedade e as instituições representantes".

A tendência é que durante a próxima quarta-feira, 12, em nova sessão, os deputados integrantes da CCJ comecem a discutir o relatório de Zveiter.

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Somente na sequência é que ele será votado pelos parlamentares. Mas, independentemente do resultado da votação na Comissão, a matéria vai ser analisada pelo plenário da Câmara - em um ritual semelhante ao processo de impeachment que tirou Dilma Rousseff da presidência no ano passado.

Para que a denúncia de corrupção passiva sobre Temer siga ao STF, ela terá de receber no mínimo 342 votos entre os deputados federais. A Constituição Federal determina que exista a aprovação de dois terços da Casa para processos dessa natureza seguirem seu curso.

Defesa de Temer reage; Zveiter minimiza fato de ser do mesmo partido

Assim que Zveiter encerrou a leitura do seu parecer, a defesa de Michel Temer ganhou a palavra para fazer as suas considerações. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende o presidente, garantiu se tratar de uma "mentira" a acusação de que Temer recebeu algum tipo de recurso ilícito.

"O presidente não pediu absolutamente nada, o presidente não recebeu nada, o presidente não agiu em nome de ninguém, não facilitiou rigorosamente nada para ninguém", defendeu Mariz.

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Em outro trecho de sua defensa, ele minimizou o fato de Temer e Joesley terem se encontrado à noite, em reunião não estabelecida na agenda oficial do presidente.

"O encontro não foi na calada da noite como muitos dizem. Não foi da calada da noite, não. Foi coisa de 22h30, 23h.... e muitos de vocês (em relação aos parlamentares da CCJ) já tiveram reuniões com o presidente por esse horário, à noite, fora da agenda oficial".

Zveiter, por outro lado, minimizou o fato de ter votado "contra" Temer mesmo pertencendo ao mesmo partido, o PMDB. O deputado diz que seu posicionamento é "independente".

"De acordo com o que as pessoas têm falado, eu faço parte de uma ala do PMDB que está independente. Se fazer parte dessa ala corresponde a querer um país melhor, com práticas corretas e honestas, digo que me sinto honrado em estar compondo esse grupo", comentou o parlamentar.